A busca pela antecipação da vitória O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, histórico favorito em suas campanhas presidenciais anteriores, enfrenta um cenário diferente em 2022. Apesar de ter conquistado a Presidência em três ocasiões, Lula precisou decidir a eleição em segundo turno, mesmo com vantagens confortáveis nas pesquisas. Em 2002, enfrentou José Serra; em 2006, Geraldo Alckmin; e em 2022, Jair Bolsonaro. Agora, o petista não detém o favoritismo de outrora, aparecendo em empate técnico com Flávio Bolsonaro em simulações de segundo turno, segundo pesquisas recentes. Estratégias para o primeiro turno Para tentar antecipar a vitória e evitar um segundo turno, a campanha de Lula aposta em uma combinação de fatores. A propaganda eleitoral gratuita na TV é um dos pilares, com Lula dispondo de mais tempo de antena por bloco e maior número de inserções. Espera-se que esse tempo adicional seja crucial para impactar o eleitorado que só agora intensifica o acompanhamento da campanha. Além disso, a exploração de medidas de apelo eleitoral, com o uso da máquina pública, está em estudo. Um reajuste do Bolsa Família, programa que beneficia milhões de brasileiros, é uma das frentes. Acordos políticos com líderes do Senado e da Câmara podem destravar a votação de propostas de interesse popular, como o fim da escala de trabalho 6x1. Foco nos grandes colégios eleitorais e o voto útil A campanha também intensificará os esforços nos quatro maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. O objetivo é conclamar o eleitorado a optar pelo voto útil, impedindo o que a campanha de Lula classifica como o retorno da "extrema direita" ao poder. Uma particularidade nesse cenário é a relação entre Flávio Bolsonaro e seu aliado Tarcísio Gomes de Freitas em São Paulo, com este último mantendo uma distância considerada estratégica da campanha do senador. O fantasma do segundo turno Apesar das armas à disposição, a campanha de Lula teme o segundo turno. Enquanto as vantagens no primeiro turno podem ser significativas, a dinâmica de uma eventual segunda rodada eleitoral pode mudar. Projeções indicam que o voto útil tende a se concentrar, unindo a direita contra o petista. Nesse cenário, algumas projeções apontam para uma virada a favor de Flávio Bolsonaro. O desejo de vitória no primeiro turno, portanto, não se resume ao otimismo de Lula, mas também ao receio de um confronto final onde o bolsonarismo poderia ter força para reverter o quadro.