Plano de governo prevê parceria para exploração de minerais críticos Um eventual quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinaliza a intenção de estimular um projeto ambicioso que uniria a Petrobras e a Vale em um novo empreendimento voltado para a exploração de minerais classificados como críticos e estratégicos. Entre os minérios citados estão urânio, terras raras, potássio, cobre, nióbio e lítio, essenciais para diversas indústrias de ponta e para a transição energética. Petrobras avalia retorno à mineração e BNDES vê oportunidades Há meses, a diretoria da Petrobras tem estudado a possibilidade de retornar ao setor de mineração, com um foco inicial na exploração de potássio. O Brasil é altamente dependente da importação de fertilizantes, e a produção nacional de potássio poderia reduzir essa vulnerabilidade. Paralelamente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já inclui em seus estudos sobre parcerias público-privadas a atração da Petrobras para a mineração, preferencialmente em colaboração com a Vale. Essa iniciativa surge em um contexto onde a produção mineral brasileira tem apresentado declínio nos últimos dez anos, perdendo competitividade no mercado global. Disputas internas e interferências políticas marcam o cenário A articulação para a formação dessa parceria, no entanto, enfrenta obstáculos. Disputas internas na diretoria da Vale têm dificultado a discussão sobre novos rumos e potenciais associações. Além disso, o presidente Lula tem historicamente demonstrado interesse em aumentar a participação do Estado em setores estratégicos e já buscou, nos últimos anos, interferir na gestão da Vale através da mobilização de fundos estatais, como a Previ do Banco do Brasil, nem sempre com sucesso. Uranio e a Marinha: uma integração estratégica No esboço de um possível quarto mandato, a Petrobras também estaria posicionada para liderar a mineração de urânio. A proposta prevê uma operação integrada com a Marinha, que detém a tecnologia de enriquecimento de urânio e desenvolve projetos de reatores para submarinos de propulsão nuclear. Essa integração reforça a visão de soberania e desenvolvimento tecnológico em áreas consideradas de segurança nacional. Promessas de campanha e a descoberta de petróleo no Amapá As propostas de maior presença estatal em setores como refino, postos de combustíveis, mineração e energia elétrica têm sido recorrentes nas falas de Lula, especialmente em discursos voltados para a campanha eleitoral. Recentemente, a descoberta de uma nova reserva de petróleo a 185 km da costa do Amapá, em uma profundidade de 2.880 metros, foi apresentada como um impulso para a campanha. A notícia, vinda da diretoria da Petrobras, pode antecipar anúncios de resultados preliminares da prospecção antes das eleições, alinhada com o calendário eleitoral e os planos da estatal.