Crise diplomática exige cessar de ataques O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, declarou que a crise diplomática entre Brasil e Argentina precisa ser superada com uma mudança de postura por parte do governo argentino. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, Vieira afirmou que a interrupção dos ataques proferidos pelo presidente da Argentina, Javier Milei, é uma condição essencial para que o relacionamento entre os dois países retome seu curso normal. “Precisamos ser muito claros quanto a isso, pelo bem dessa relação: esse tipo de agressão deve cessar imediatamente para que possamos trabalhar no vínculo bilateral, que é tão importante”, disse o ministro. Ele ressaltou que o Brasil continua considerando a Argentina um parceiro estratégico e espera uma demonstração equivalente por parte da administração de Milei. Sequência de ataques e impacto nas relações As declarações de Vieira ocorrem após uma série de ataques de Milei ao presidente Lula. Em um evento do PL, o argentino chamou Lula de “presidiário” e criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Posteriormente, em entrevista a uma emissora argentina, Milei voltou a chamar o presidente brasileiro de “ladrão” e “corrupto”, questionando as decisões do STF que anularam as condenações de Lula na Lava Jato. O impasse diplomático já afetou a representação entre os países, que atualmente não contam com embaixadores em suas respectivas capitais. Os assuntos bilaterais estão sendo conduzidos por encarregados de negócios, e Vieira indicou que a recomposição dos postos de embaixador só ocorrerá após a eliminação das circunstâncias que levaram ao quadro atual. Rejeição a acusações e desinformação Vieira enfatizou que as falas de Milei não atingiram apenas membros do governo brasileiro, mas também instituições e poderes do Estado, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF). O chanceler classificou um discurso recente do presidente argentino como “assombroso”, dada a repetição de manifestações semelhantes em um curto período. O ministro também aproveitou para desmentir acusações de Milei de que o governo brasileiro teria financiado articulações internacionais contra a Argentina, classificando a denúncia como “totalmente falsa”. Além disso, afastou qualquer interpretação eleitoral sobre a visita do ex-ministro argentino Sergio Massa ao Brasil, afirmando que o encontro tratou de temas de interesse econômico compartilhado. Por fim, rejeitou a classificação de Lula como “comunista”, argumentando que o presidente brasileiro não rompeu com o caráter capitalista da economia nacional.