Lobby e Proximidade com o Planalto Conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) revelaram uma articulação entre a empresária e lobista Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo seria viabilizar a venda de produtos à base de canabidiol para a rede pública de saúde (SUS). Luchsinger, que é amiga do empresário Fábi0 Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, teria utilizado sua proximidade com a alta cúpula do Planalto para intermediar o negócio. Minuta de Contrato e Pagamentos Entre as provas obtidas pela PF está uma minuta de contrato com dispensa de licitação que foi entregue diretamente a Marcola. À época das conversas, Roberta Luchsinger tentava assegurar um contrato para a World Cannabis, empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS" e apontado pela PF como operador de desvios de aposentadorias. A lobista teria recebido R$ 1,5 milhão para atuar nesse lobby junto ao Ministério da Saúde. A defesa de Marcola admitiu que o recebimento da minuta foi "inadequado", mas afirmou que o documento não teve seguimento. O Ministério da Saúde, por sua vez, confirmou que a compra jamais ocorreu e que o canabidiol não faz parte dos itens fornecidos pelo SUS. Investigações e Relações Familiares As mensagens trocadas entre Luchsinger e Marcola fazem parte de investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a atuação da empresária e sua relação com Lulinha. O filho do presidente é alvo de três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no governo. Em diálogos interceptados, Luchsinger e Lulinha discutiam negócios e projetavam um futuro fora do país, mencionando que trabalhavam em "outro nível" e que seu destino seria a Suíça. Ambos negam irregularidades. Registros oficiais indicam que Roberta Luchsinger esteve dezenas de vezes em ministérios e no Palácio do Planalto entre 2023 e 2025. Pagamento de Boletos e Presentes A Polícia Federal identificou ainda que Roberta Luchsinger custeou boletos e presentes a pedido de Marcola, incluindo a compra de joias no valor de R$ 9,2 mil para o Dia das Mães de 2024. Segundo a defesa de Marcola, os valores repassados pela lobista somaram R$ 217 mil e foram integralmente quitados por ele com correção monetária, totalizando R$ 249 mil. A defesa de Lulinha reafirmou sua confiança nas instâncias de apuração e solicitou investigações sobre a "nefasta instrumentalização de parte das nossas instituições por interesses políticos e eleitorais". A defesa de Luchsinger não se manifestou sobre as revelações.