Em sua estreia no horário eleitoral gratuito no rádio, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) declarou que sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal atende a uma "missão" confiada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Em um pronunciamento de aproximadamente dois minutos, Michelle relembrou o governo do marido e sua infância em Ceilândia, região administrativa do DF, mas optou por não mencionar seu enteado e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Missão e pautas sociais no foco de Michelle "Essa (candidatura ao Senado) foi a missão que o meu marido me confiou. Eu estarei ali ajudando em todas as pautas que são caras ao meu coração", afirmou Michelle. A ausência de Flávio Bolsonaro na peça publicitária ocorre em um momento em que a campanha presidencial busca ampliar a participação de Michelle na corrida eleitoral. A estratégia, segundo interlocutores da campanha, visa fortalecer a imagem da ex-primeira-dama. A propaganda radiofônica resgatou um discurso de Michelle em Libras durante a posse de Bolsonaro em janeiro de 2019, onde ela prometeu, em nome do governo, respeitar os direitos da comunidade surda e tirá-los da "invisibilidade". A candidata também apostou em sua biografia, narrando sua criação em Ceilândia, a separação dos pais quando tinha quatro anos, o trabalho de seu pai como motorista de ônibus e a capacitação de sua mãe para sustentar a família. Ao apresentar suas prioridades para o Senado, Michelle citou o apoio a "mães atípicas", pessoas com deficiência e entidades do terceiro setor. Bia Kicis e outras candidaturas ao Senado Após a fala de Michelle, a propaganda apresentou brevemente a deputada Bia Kicis (PL), também candidata ao Senado. Kicis destacou sua formação jurídica, sua carreira como procuradora do Distrito Federal por 24 anos, a votação expressiva em 2022 e sua passagem pela presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. As candidaturas de Michelle e Bia foram apresentadas conjuntamente sob a marca "programa Michelle e Bia". Flávio Bolsonaro também não foi citado no segmento dedicado a Bia Kicis. Na disputa pelo Senado, outras candidaturas também marcaram presença no horário eleitoral. A senadora Leila Barros (PDT) focou em sua trajetória no vôlei e em sua infância em Taguatinga. A deputada Érika Kokay (PT) ressaltou sua atuação parlamentar como "teimosa" e "insistente" na aprovação de políticas públicas. O pastor Ronaldo Fonseca (PSD) apresentou-se como o candidato do ex-governador José Arruda (PSD). Disputa pelo GDF: BRB e Master em destaque Na corrida pelo governo do Distrito Federal, a governadora Celina Leão (PP) abordou a situação do Banco de Brasília (BRB) em seu programa, defendendo as medidas adotadas em sua gestão. Em um formato de entrevista intitulado "Rádio da Leoa", Celina afirmou ter assumido o governo em um "momento muito delicado" e que optou por buscar soluções, incluindo uma auditoria completa e a mudança da diretoria do BRB. Ela também destacou ações na saúde e segurança, pedindo um voto de confiança. Por outro lado, Leandro Grass (PT) utilizou o BRB e o caso Master como munição contra a atual gestão. Sua propaganda focou nas filas enfrentadas pela população e no tempo perdido em transporte e serviços públicos, associando diretamente o banco aos escândalos. "Estamos todos indignados com os milhões de reais dos escândalos do BRB e do Master que este governo jogou no lixo", declarou Grass, que criticou a gestão "Celina-Ibaneis" e citou filas em transporte público, saúde e creches. Outros candidatos ao GDF também apresentaram suas propostas. Ricardo Cappelli (PSB) assumiu o rótulo de "forasteiro", mas ressaltou seus 23 anos no DF e sua distância da "panelinha" que, segundo ele, governa a capital. José Roberto Arruda (PSD) relembrou realizações de sua gestão anterior, como obras do metrô e intervenções viárias, argumentando que "já fez, sabe o caminho e sabe como resolver" os problemas do DF.