Laura Cardoso, um Pilar da Televisão e do Teatro Brasileiro, nos Deixa Aos 98 Anos Um Legado de Atuações Inesquecíveis e Reconhecimento Nacional A arte brasileira perdeu uma de suas maiores estrelas. Laura Cardoso, nome reverenciado na dramaturgia nacional, faleceu em São Paulo na madrugada desta terça-feira (18), aos 98 anos. A notícia foi confirmada através do perfil oficial da atriz nas redes sociais, em uma postagem que lamentou a partida e celebrou sua trajetória. O velório da artista está previsto para ocorrer nesta terça-feira, das 8h às 14h, na Bela Vista, região central de São Paulo. Segundo Fátima Cardoso, filha da atriz, Laura faleceu por volta das 23h20 de segunda-feira (17), após se sentir mal em sua residência. Da Radionovela ao Estrelato na TV: Uma Carreira Pioneira Nascida Laurinda de Jesus Balleroni em 13 de setembro de 1927, em São Paulo, Laura Cardoso iniciou sua jornada artística no rádio, encantando o público com suas atuações em radionovelas nos anos 1940. Com o advento da televisão no Brasil, ela se tornou uma das primeiras contratadas da TV Tupi. Sua estreia na emissora ocorreu em 1954, no programa 'Tribunal do Coração', e quatro anos depois, já brilhava nas telenovelas com o papel de Cosette em 'Os Miseráveis'. Ao longo das décadas seguintes, Laura Cardoso marcou presença em diversas emissoras, incluindo Record, Tupi, Excelsior, TV Rio, Cultura e Band. Na Tupi, participou da primeira novela diária da emissora, 'Quando o Amor é Mais Forte' (1964). Sua carreira na televisão foi consolidada ao chegar à TV Globo em 1981, onde construiu uma filmografia extensa com mais de vinte novelas. Entre seus trabalhos mais marcantes na emissora estão 'Fera Radical', 'Felicidade', 'Mulheres de Areia', 'A Viagem', 'Chocolate com Pimenta', 'Caminho das Índias', 'Gabriela', 'O Outro Lado do Paraíso' e 'A Dona do Pedaço'. Versatilidade e Maestria em Palco e Tela A capacidade de Laura Cardoso de transitar por diferentes tipos de personagens foi uma de suas marcas registradas. Ela interpretou desde a aguerrida Sinhana em 'Irmãos Coragem' até a doce Dona Carmem em 'Chocolate com Pimenta', passando por figuras inesquecíveis como Marta em 'Fera Radical', Dona Cândida em 'Felicidade', Dona Lila em 'Mundo da Lua', Isaura em 'Mulheres de Areia' e Guiomar em 'A Viagem'. No teatro, sua estreia aos 32 anos, em 1959, com a peça 'Plantão 21', sob a direção de Antunes Filho, marcou o início de uma parceria de sucesso. Essa colaboração rendeu a Laura Cardoso dois Prêmios Shell de Melhor Atriz, por suas atuações em 'Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu' (1990) e 'Vereda da Salvação' (1993). Vida Pessoal e Reconhecimento ao Longo da Trajetória Laura conheceu Fernando Balleroni em 1949, na Rádio Tupi. O casal teve três filhos: Fátima, José e Fernanda. A atriz manteve-se casada com Fernando até o falecimento dele, em 1980. O interesse pela atuação floresceu ainda na infância, impulsionado pelo gosto pela leitura e pela recitação. Ao longo de oito décadas de carreira, Laura Cardoso acumulou uma vasta lista de prêmios e honrarias. Iniciou sua coleção com o Troféu Roquette Pinto de atriz revelação em 1956, seguido pelo Troféu Imprensa e reconhecimentos da APCA. Seus triunfos no teatro foram reconhecidos com o prêmio de Melhor Atriz por 'Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu' e 'Vereda da Salvação'. Em 2000, foi premiada como Melhor Atriz por 'Através da Janela' e, dois anos depois, recebeu o Troféu Mário Lago pelo conjunto de sua obra televisiva. Em 2006, sua contribuição à cultura brasileira foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.