Policiais Militares Denunciados por Ligação com o PCC na Transwolff O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia contra quatro policiais militares suspeitos de integrar um esquema de segurança que atuava em favor de dirigentes da Transwolff, empresa de transporte urbano com supostas ligações com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Os policiais Alexandre Paulino Vieira, José Henrique Martins Flores, Alexandre Aleixo Romano Cezário e Nereu Aparecido Alves são acusados de organização criminosa e comércio exercido por oficial. Um deles também responde por lavagem de capitais. Segundo a denúncia, as funções dos policiais iam além da segurança física, atuando na blindagem institucional e reputacional da empresa, com o objetivo de desviar a atenção de atividades de lavagem de dinheiro. A investigação sugere que o PCC buscava, ao contratar os PMs, transferir as prerrogativas e a credibilidade do Estado para interesses privados. Estrutura e Divisão de Tarefas no Esquema O MPSP descreve a organização como estruturalmente ordenada, com divisão de tarefas voltada à obtenção de vantagens ilícitas para o grupo econômico Cooperpam/Transwolff, ligado ao PCC. O capitão Alexandre Paulino Vieira seria o coordenador, responsável pela gestão da equipe, negociação de pagamentos e interlocução com os dirigentes da empresa. O tenente-coronel José Henrique Martins Flores teria utilizado uma estrutura empresarial para formalizar os serviços, autorizando a emissão de notas fiscais para dar aparência lícita aos pagamentos. Os sargentos Alexandre Romano Cezário e Nereu Aparecido Alves atuavam na linha de frente: Cezário na proteção pessoal de dirigentes e familiares, controle de acesso e captação de outros policiais, enquanto Alves estaria envolvido no transporte e manuseio de numerário da empresa. Os serviços eram remunerados mensalmente e formalizados por meio de empresas de familiares dos policiais, caracterizadas pelo MP como “terceiros laranjas”. Conhecimento do Vínculo com o Crime Organizado A denúncia aponta que os policiais tinham ciência dos vínculos dos empresários com o crime organizado. Uma consulta realizada pelo sargento Alexandre Romano Cezário em setembro de 2020 revelou antecedentes de tráfico de drogas e ligações de dirigentes com o PCC. Mesmo após o afastamento dos policiais por ordem do comando da Rota e a deflagração da Operação Sharks, os vínculos com a Transwolff teriam sido mantidos. O esquema teria permanecido ativo entre 2020 e 2026, sobrevivendo a operações policiais como a Fim da Linha em 2024. Operação Fim da Linha e Empresas Suspeitas A descoberta do núcleo de segurança dos PMs ocorreu no âmbito da Operação Fim da Linha, em abril de 2024. As investigações apontaram que as empresas de transporte coletivo UPBUS e Transwolff eram usadas para mascarar recursos ilícitos do PCC, provenientes de tráfico de drogas, roubos e outros crimes. Luiz Carlos Efigênio Pacheco (“Pandora”) e Cícero de Oliveira (“Té”) foram denunciados, entre outros, por apropriação de cotas, extorsão e ocultação de R$ 54 milhões no capital social da Transwolff. A operação cumpriu mandados de prisão e busca, com bloqueio de mais de R$ 600 milhões em patrimônio das empresas. Posicionamento da Transwolff e Defesa dos Policiais Em nota, a Transwolff afirmou repudiar qualquer tentativa de associação com organizações criminosas e que colabora com as autoridades. A defesa do capitão Alexandre Paulino Vieira declarou a inocência do oficial, negando sua integração a qualquer organização criminosa. A reportagem busca contato com as demais defesas dos policiais.