MPE questiona prazos de afastamento de Yale Fernandes de cargos na prefeitura de Arapiraca O Ministério Público Eleitoral (MPE) solicitou à Justiça Eleitoral a impugnação do registro de candidatura de Yale Barbosa Fernandes (MDB), que concorre como vice-governador de Alagoas na chapa liderada pelo ex-ministro Renan Filho (MDB). Em manifestação enviada ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), o procurador regional eleitoral Marcial Duarte levanta questionamentos sobre o cumprimento dos prazos legais para o afastamento de Yale de cargos comissionados que ocupava na Prefeitura de Arapiraca. A Procuradoria Eleitoral aponta que, embora Yale tenha apresentado documentos de exoneração do cargo de secretário municipal, existem dúvidas sobre a efetividade e a publicação dessas desincompatibilizações. O MPE afirma não ter localizado no Diário Oficial dos Municípios de Alagoas as portarias que comprovariam as exonerações apresentadas pelo candidato. Sucessão de cargos comissionados gera controvérsia Yale Fernandes foi nomeado em novembro de 2025 como secretário executivo na Prefeitura de Arapiraca. Sua exoneração, registrada em portaria de março de 2026 com efeito a partir de 1º de abril, ocorreu pouco antes do prazo de seis meses antes da eleição, que terminou em 4 de abril. O MPE, contudo, destaca que, logo após deixar o cargo de secretário, Yale teria assumido outra função comissionada na prefeitura: Assessor Técnico Especial I, com remuneração idêntica à de secretário. O Ministério Público sustenta que a sequência de cargos exige uma análise mais profunda, que vá além dos atos formais de exoneração. A Procuradoria também cita registros do Portal da Transparência e referências públicas a Yale como secretário de Governo mesmo após sua suposta saída do cargo, o que, segundo o procurador, levanta dúvidas sobre sua situação funcional. Defesa do MDB rebate e garante regularidade da candidatura O MDB de Alagoas refuta as alegações do MPE, afirmando que a candidatura de Yale Fernandes está regular e que os afastamentos ocorreram dentro dos prazos legais. O partido alega que Yale deixou o cargo de secretário em 1º de abril e foi exonerado da função de assessor técnico em 30 de junho, ambas as datas anteriores aos prazos eleitorais de seis e três meses, respectivamente. Segundo o MDB, os desligamentos foram formalizados pelas portarias GP nº 311/2026 e GP nº 855/2026. A legenda afirma que a documentação apresentada comprova a regularidade dos cargos e dos respectivos afastamentos. Sobre as referências públicas a Yale como secretário, o partido as considera como uma forma de tratamento social, semelhante à utilizada para ex-autoridades, e não como indício de permanência no cargo. Decisão final cabe ao TRE-AL O caso será analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), que decidirá sobre a manutenção ou não do registro da candidatura de Yale Fernandes. O MDB declarou que apresentará toda a documentação necessária à Justiça Eleitoral para comprovar a regularidade da candidatura de seu vice-governador.