Descoberta Histórica em Profundezas Marinhas Israel anunciou nesta segunda-feira a localização do navio Altalena, um marco histórico que estava submerso a 503 metros de profundidade, próximo à costa de Tel Aviv. A embarcação, afundada pelo próprio Exército israelense em junho de 1948, transportava armamentos destinados ao Irgun, um grupo armado judeu clandestino, em um dos momentos mais tensos e controversos da fundação do Estado de Israel. O ministro do Patrimônio, Amichai Eliahu, celebrou a descoberta em uma publicação nas redes sociais, afirmando: "Encontramos o Altalena. Esta noite, escrevemos uma página da história". Segundo o ministro, o navio foi encontrado intacto, preservando vestígios de um episódio que marcou profundamente os primórdios da nação. O Conflito que Dividiu o Nascente Estado O afundamento do Altalena ocorreu apenas um mês após a declaração de independência de Israel, em meio à sua primeira guerra contra nações árabes. Naquele período, o primeiro-ministro David Ben-Gurion, líder do partido Mapai, buscava centralizar o poder militar e impedir a existência de forças paramilitares paralelas. O Irgun, comandado por Menachem Begin, era o principal opositor a essa política. A crise do Altalena expôs a profunda divisão política e ideológica entre a esquerda moderada de Ben-Gurion e a direita nacionalista de Begin. A disputa pelo controle das armas e pela autoridade do novo Estado culminou em um confronto direto entre o Exército israelense e os combatentes do Irgun. Um Confronto com Legado Duradouro O trágico episódio resultou na morte de 16 membros do Irgun e três soldados do Exército israelense. A violência e a disputa geraram uma divisão que perdurou por anos na classe política de Israel, moldando o cenário político do país. As buscas pelo navio se estenderam por décadas, até que finalmente a embarcação foi localizada, representando a recuperação de um artefato fundamental para a compreensão de um dos capítulos mais delicados da história israelense.