Juízes devem ser imparciais, diz futuro presidente do STJ O futuro presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, que tomará posse no cargo em 19 de agosto, declarou nesta sexta-feira (31) que juízes não devem manifestar posicionamento político publicamente. Segundo ele, aqueles que se inclinam para a política deveriam ser submetidos a um período de quarentena após deixarem a carreira pública antes de ingressarem na vida política. Salomão, que está há 18 anos no STJ e já atuou como corregedor nacional de Justiça, tem um histórico de decisões punitivas contra aqueles que tomaram partido em eleições passadas. Redes sociais facilitam fiscalização de juízes Durante um congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Salomão afirmou categoricamente: "Juiz que tem posicionamento político está na profissão errada". Ele ressaltou que, para as eleições presidenciais deste ano, a situação está "controlada" e que as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) representam um "caminho sem volta". O ministro também destacou que a fiscalização sobre a conduta de magistrados tornou-se mais eficaz com o advento das redes sociais, que registram as ações e declarações de forma permanente. Proposta de quarentena para transição de carreira Salomão defendeu a implementação de um período de quarentena para membros do Judiciário e do Ministério Público que desejam se candidatar a cargos políticos. A medida visa evitar que profissionais deixem a carreira pública e concorram imediatamente, sem um período de distanciamento que garanta a imparcialidade e a isenção necessárias para a atuação política. Ele mencionou, sem citar nomes, a prática de "pendurar a toga em um dia e, no outro, sair candidato". Investigação sobre recursos da Lava Jato e casos de ex-juízes Ainda durante sua gestão como corregedor, Salomão iniciou uma investigação sobre a destinação de recursos arrecadados pela operação Lava Jato. A apuração abrange a atuação de figuras proeminentes como o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol, ambos que deixaram suas carreiras públicas para entrar na política em 2022. A pendência de processos disciplinares contra esses e outros magistrados, como o juiz federal Marcelo Bretas, que foi aposentado compulsoriamente pelo CNJ, intensificou o debate sobre as regras para a migração de juízes e promotores para a política institucional.