Dinheiro em espécie e passagens aéreas sob investigação Um relatório da Polícia Federal (PF) indica que a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luíz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula, recebeu vultosas quantias em dinheiro em espécie no meio do ano passado. Lulinha e Roberta são alvos de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) sob suspeita de tráfico de influência, acusações que ambos negam. Trechos do documento, divulgados pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmados pelo GLOBO, revelam conversas extraídas do celular de Roberta. Em uma delas, a empresária instrui seu motorista a recolher um montante e informá-la. "Quando você pegar o dinheiro me avisa", disse ela. O motorista respondeu: "Acabei de pegar tudo, tô levando pra sua residência. Não contei... pq está em pacotes lacrados". Ele completou: "Chegando na residência eu passo o valor total (...) 100 + 200". A PF inferiu que se tratava de R$ 300 mil. Segundo a PF, Roberta teria solicitado ao motorista que depositasse R$ 50 mil na conta de sua empresa e outros R$ 50 mil em uma agência de viagens. Pagamento de passagens aéreas como prática costumeira Paralelamente, o relatório da PF aponta que era "costumeiro" o pagamento de passagens aéreas por parte de Roberta para Lulinha. Essa conclusão se baseia em um diálogo onde a lobista reclama com um empresário sobre o custeio de "passagens pro Fabio". "Tem que pagar essa bosta dessas passagens pro Fabio", teria dito Roberta em agosto de 2025, conforme revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmado pelo GLOBO. Defesa e declarações do presidente O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, negou qualquer irregularidade, afirmando que Roberta não pagou passagens ao filho do presidente na época, que residia em Madri, na Espanha. Carvalho criticou os "vazamentos criminosos" que, segundo ele, visam interferir nas eleições de 2026, comparando a situação com a operação Lava Jato. A defesa de Roberta Luchsinger optou por não se manifestar. Em entrevista à Record, o presidente Lula declarou que ninguém está acima da lei e que orienta seu filho a se defender das acusações e apresentar sua versão dos fatos. "Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado. Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está (acima da lei) se cometer erro", disse Lula, acrescentando que não interfere nas investigações e que seu filho "se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele".