Uefa ameaça boicote e classifica plano como "acordo escuso" O presidente da Fifa, Gianni Infantino, enfrenta um desgaste significativo em sua relação com a Uefa, o órgão máximo do futebol europeu. A perda de confiança se deu após a retirada de um ambicioso plano que visava permitir investimentos privados em eventos da entidade máxima do futebol mundial, como a Copa do Mundo. A decisão de recuar ocorreu diante de uma onda de críticas globais, que culminou com a Uefa ameaçando boicotar todas as competições da Fifa caso o projeto avançasse. A entidade europeia classificou a iniciativa, divulgada em um comunicado no último sábado, como um "acordo escuso, opaco e articulado nos bastidores". O plano da Fifa previa a arrecadação de até US$ 4,2 bilhões, com base em uma avaliação de mercado de US$ 20 bilhões para a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária comercial destinada a gerenciar ativos como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. Proposta visava injetar milhões nas associações-membro A proposta original indicava que o projeto poderia resultar em um pagamento único de US$ 20 milhões para cada uma das 211 associações-membro da Fifa no início de 2027. Adicionalmente, previa um aumento na alocação de recursos para o ciclo de 2027 a 2030, saltando de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões por federação. No entanto, todo o plano foi por água abaixo. A Uefa destacou o dano à credibilidade da Fifa, especialmente após o recente sucesso da Copa do Mundo, a primeira com 48 seleções e sediada em três países. "A atual liderança da Fifa não perdeu apenas a confiança da Uefa, mas também a de muitos outros membros da família do futebol", declarou a entidade em nota. Críticas à falta de transparência e promessas não cumpridas Embora a Uefa tenha comemorado a retirada da proposta, que foi unanimemente rejeitada pela própria entidade e por outras confederações com a missão de "proteger o futebol", as críticas a Infantino não pouparam o dirigente. O comunicado enfatizou que o suíço, de 56 anos, descumpriu promessas feitas durante sua campanha eleitoral em 2016, quando prometeu transparência e afirmou que o dinheiro da Fifa pertencia às associações-membro, e não ao presidente. "Ele falhou em cumprir ambas as promessas", acusou a Uefa. "O acordo escuso, opaco e articulado nos bastidores que ele arquitetou e tentou impor à força foi tudo, menos transparente. E, com reservas superiores a US$ 5 bilhões, ele também falhou em utilizar o dinheiro das associações em benefício do esporte." Apelo por união e reconstrução da confiança A Uefa declarou que "não podemos continuar assim, com esquemas secretos e prazos acelerados" e que é o momento para as partes responsáveis se unirem para evitar que tais situações se repitam. "É correto que, nos próximos dias e semanas, a UEFA trabalhe com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que não ocorra novamente", afirmou a entidade. "Essa análise deve ser minuciosa e fundamental. Nenhuma opção deve ser descartada." A manobra, que poderia ter sido um passo para a reeleição de Infantino sem oposição para um terceiro mandato no próximo ano, agora levanta questionamentos sobre a possibilidade de um rival surgir. A Uefa já vinha demonstrando insatisfação com a Fifa, com seu presidente, Aleksander Ceferin, tendo boicotado a final da Copa do Mundo. "Esta é uma vitória para todo o esporte. Mas não deve ser o fim da história", concluiu a Uefa. "A proposta foi descartada. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas começando."