Recurso busca pena máxima para Erin Patterson A promotoria da Coroa australiana apresentou um recurso ao Tribunal de Apelação de Melbourne com o objetivo de garantir que Erin Patterson, apelidada de "assassina dos cogumelos", nunca tenha direito à liberdade condicional. A mulher de 51 anos foi condenada à prisão perpétua por matar três parentes e tentar matar um quarto, servindo um bife Wellington preparado com cogumelos venenosos em um almoço fatal em sua residência, no estado de Victoria, em 2023. A promotoria argumenta que a sentença atual, que permite a Patterson solicitar liberdade condicional após 33 anos de reclusão, é "manifestamente inadequada" para a gravidade dos crimes, descritos como "verdadeiramente terríveis". Detalhes chocantes do crime e a "traição de confiança" As vítimas fatais foram os sogros de Patterson, Don e Gail Patterson, ambos com 70 anos, e Heather Wilkinson, irmã de Gail, de 66 anos. Todos faleceram após apresentarem sintomas graves decorrentes do envenenamento. Ian Wilkinson, marido de Heather e o único sobrevivente do almoço, não se recuperou completamente. A promotoria destacou a "traição de confiança" envolvida, uma vez que as vítimas eram pessoas próximas e haviam sido convidadas para um almoço na casa de Patterson. A acusação sustenta que o crime foi premeditado, com Patterson planejando por meses a obtenção e o preparo de cogumelos da espécie Amanita phalloides, também conhecida como "cogumelo da morte", e inventando uma história sobre um diagnóstico de câncer para justificar o encontro. A promotoria alega que Patterson manteve suas mentiras mesmo após as vítimas começarem a apresentar sintomas graves e buscarem tratamento médico, inclusive para as autoridades e profissionais de saúde. Justificativa para a pena atual e os argumentos da defesa Ao sentenciar Patterson em setembro do ano passado, o juiz Christopher Beale estabeleceu o período mínimo de 33 anos para a possibilidade de liberdade condicional, citando as "duras" condições que ela enfrentaria na prisão, incluindo a probabilidade de isolamento prolongado para sua própria proteção. Contudo, a promotoria considera essa avaliação exagerada, argumentando que a notoriedade do caso diminuirá com o tempo, melhorando suas condições. A defesa de Patterson, por outro lado, busca a manutenção da pena, classificando o raciocínio do juiz como "irrepreensível". Paralelamente, os advogados de Patterson tentam anular as condenações, alegando que o julgamento foi comprometido por uma "confusão catastrófica" devido à hospedagem conjunta de jurados, promotores e uma testemunha-chave, além de considerar que parte das provas apresentadas era especulativa. Decisão em aberto e o futuro de Erin Patterson O Tribunal de Apelação de Melbourne está analisando ambos os recursos – o da promotoria para aumentar a pena e o da defesa para anular as condenações. As decisões ainda não foram proferidas e deverão levar semanas ou meses para serem anunciadas. Enquanto isso, Erin Patterson permanece com a condenação à prisão perpétua, sujeita à possibilidade de solicitar liberdade condicional após cumprir 33 anos, caso a sentença original seja mantida. A promotoria reitera que a pena de 33 anos é "manifestamente inadequada" e falha em refletir a gravidade dos crimes e a dignidade das vítimas.