Defesa da Soberania e Resposta a Trump O Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou o plano de governo que norteará a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma das bandeiras centrais do documento é a defesa da soberania nacional, apresentada como uma resposta direta a políticas internacionais, como as adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O plano, intitulado “Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil: um País Soberano, Democrático, Sustentável e Criativo”, possui 84 páginas e está dividido em 13 capítulos. Arcabouço Fiscal e Aumento de Investimentos Na esfera econômica, o plano de governo de Lula promete a manutenção do arcabouço fiscal, alinhado com a responsabilidade fiscal e o controle da inflação. A estratégia para sustentar o crescimento nos próximos anos se concentra no aumento da taxa de investimentos, tanto públicos quanto privados. O foco recai sobre infraestrutura logística e social, inovação e indústria, visando elevar a competitividade da produção nacional e posicionar o Brasil em setores estratégicos para a disputa tecnológica global. O documento ressalta que a política macroeconômica deve ser comprometida com a responsabilidade fiscal, a queda de juros e a inflação sob controle. Críticas às Emendas Parlamentares e Orçamento Secreto O documento petista tece uma das críticas mais contundentes ao atual sistema de emendas parlamentares, classificando-o como uma “grave distorção” na gestão do Orçamento. O plano aponta que, em 2026, as emendas parlamentares somaram R$ 50 bilhões, o que representa cerca de um quarto das despesas discricionárias do Executivo. As emendas impositivas e o “orçamento secreto” são criticados por “sequestrar o orçamento público”, dispersar recursos e reduzir a eficiência na alocação. O PT defende que o tema seja amplamente debatido com a sociedade, considerando que esse modelo estaria sendo replicado em outras esferas de poder. Balanço e Propostas Econômicas O programa de governo faz um balanço das ações do terceiro mandato de Lula, destacando cinco pilares: retomada do crescimento e emprego, combate às desigualdades, inflação controlada com responsabilidade fiscal, neoindustrialização com transformação ecológica e reinserção internacional do Brasil. Medidas tributárias como a tributação sobre super-ricos, offshores e fundos exclusivos são mencionadas, assim como a ampliação de isenções do Imposto de Renda. A Reforma Tributária do consumo, com a substituição de cinco tributos por dois (CBS e IBS), o fim da cumulatividade e a adoção de mecanismos como isenção da cesta básica e cashback para famílias de baixa renda, também são pontos de destaque. O plano prevê a redução do déficit primário para cerca de 0,4% do PIB em 2026, patamar considerado próximo do equilíbrio fiscal.