Alerta de Saúde Pública em São Paulo A Região Metropolitana de São Paulo enfrenta um ressurgimento preocupante do sarampo, com 23 casos confirmados neste ano. A Secretaria de Saúde do Estado divulgou que 20 casos ocorreram na capital paulista, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Desses, dois são considerados importados e os demais estão relacionados à introdução do vírus, embora a fonte de infecção ainda esteja sob investigação. Alarmantemente, 16 dos pacientes infectados não apresentavam histórico de vacinação ou tinham o esquema vacinal incompleto, evidenciando a fragilidade na proteção coletiva. Vacinação Ampla e Excepcional em Áreas Críticas Diante do risco iminente de expansão da doença, o Ministério da Saúde determinou uma medida emergencial: a recomendação de vacinação indiscriminada contra o sarampo para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Esta estratégia, parte da Campanha de Multivacinação que vai de 3 de agosto a 1º de setembro, visa garantir a proteção mesmo para aqueles que não possuem comprovante de vacinação prévia. É importante ressaltar que esta é uma ação temporária e localizada, não alterando o calendário vacinal nacional. O Que é a Dose Zero e Por Que o Reforço é Essencial Bebês entre 6 e 11 meses receberão a chamada "dose zero" da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). Essa dose antecipada é crucial, pois lactentes são um dos grupos mais vulneráveis a formas graves da doença. No entanto, a dose zero não substitui as doses de rotina: as crianças deverão ser vacinadas novamente aos 12 e 15 meses de idade. A necessidade de reforço se justifica pela cobertura vacinal ainda insuficiente no país. Em 2025, o Brasil atingiu 92,9% de cobertura para a primeira dose da tríplice viral, mas apenas 78,3% para a segunda. Para erradicar a circulação do sarampo, é preciso manter uma cobertura próxima a 95% com duas doses, em todos os municípios e bairros, evitando a formação de bolsões de não vacinados que facilitam surtos. Sarampo: Contágio Rápido e Riscos Graves O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas, com capacidade de infectar cerca de 90% das pessoas próximas não protegidas. A transmissão ocorre pelo ar, inclusive antes do surgimento das manchas vermelhas características, o que dificulta o diagnóstico precoce. Os sintomas incluem febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas pelo corpo. As complicações podem ser graves, como pneumonia, encefalite, necessitando de internação e, em casos extremos, levando à morte. Bebês, gestantes, idosos, desnutridos e imunossuprimidos são os grupos de maior risco. A vacina é a ferramenta mais eficaz, oferecendo cerca de 97% de proteção com duas doses e 93% com uma. Os surtos atuais refletem falhas na cobertura vacinal, não na eficácia da vacina. A Importância da Vacinação Contínua As famílias residentes em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo devem aderir à recomendação especial da campanha. Para toda a população, é fundamental verificar se o esquema vacinal habitual está completo. Crianças devem receber as doses aos 12 e 15 meses. Pessoas que não têm certeza sobre seu histórico vacinal devem procurar um posto de vacinação. Gestantes e indivíduos com imunossupressão importante devem consultar um médico antes de se vacinarem, pois a vacina contém vírus vivos atenuados. O Brasil recuperou o certificado de país livre da circulação endêmica do sarampo em 2024, mas a manutenção desse status depende de vacinação elevada e contínua. Interromper o atual surto em São Paulo é um passo crucial para evitar que ele se agrave.