Ucrânia: Soldados defendem o valor humano em meio à revolução dos drones Em meio a um campo de milho na Ucrânia, paraquedistas recém-formados se preparam para um exercício de treinamento. A cena, que remete a conflitos passados, contrasta com a realidade atual da guerra. O instrutor Axel, de 24 anos, explica que lançar tropas de paraquedas em zona de combate se tornou impraticável devido à eficácia das defesas inimigas. A Ascensão dos Drones e a Mudança no Campo de Batalha A guerra moderna é cada vez mais dominada por drones, tanto no ar quanto em missões terrestres, substituindo em grande parte os combates aéreos tradicionais e a infantaria na linha de frente. O Ministério da Defesa da Ucrânia informou que, em julho, cerca de 90% dos alvos eram destruídos por drones. Essa revolução tecnológica levanta questionamentos sobre o futuro do soldado humano. Habilidades Tradicionais e o Fortalecimento Psicológico Apesar da predominância tecnológica, soldados como o recruta de 21 anos, conhecido pelo codinome "Karyi", acreditam na relevância contínua das habilidades humanas. Para ele, a tecnologia tem seus limites e a inteligência artificial, por si só, não vencerá guerras. Os lançamentos de paraquedas, embora não sejam mais uma tática primária em combate, permanecem como um rito de passagem fundamental para as tropas aéreas, consideradas de elite em muitos exércitos. O jovem oficial Roman Kulievych destaca que os saltos de paraquedas atrás das linhas inimigas “não são nada práticos”, mas ressaltam que a tradição “forja o caráter e nos diferencia das outras forças armadas”. Instrutores corroboram que o treinamento em habilidades tradicionais possui um propósito psicológico, avaliando a capacidade dos soldados de lidar com estresse e superar medos. Exercícios como a “marcha forçada”, que inclui simulações de combate corpo a corpo e marchas extenuantes em condições adversas, visam moldar a mente e fortalecer a motivação. O Fator Humano na Guerra Moderna A realidade da guerra de drones impõe desafios psicológicos únicos aos soldados em terra, que enfrentam longos períodos de escassez, a constante ameaça de um inimigo invisível e o medo de se mover para não serem detectados pelos “olhos no céu”. Em meio a essa dinâmica, a camaradagem e a força mental se tornam ainda mais importantes. Um paraquedista, ao desejar sorte a um colega, recebe a resposta: “Sorte é coisa de perdedor. No nosso trabalho, o que vale é habilidade e coragem”. Yuriy, um instrutor veterano, reflete sobre a necessidade do treinamento humano, mesmo diante da crescente especialização tecnológica. Ele afirma: “Mas um território só é realmente controlado por uma unidade quando há soldados de verdade ali. Ou seja, pessoas, não robôs”. "Karyi" concorda, enfatizando que “antes de tudo, ainda há um ser humano por trás de tudo isso, e essas pessoas precisam ser de alta qualidade.” A guerra na Ucrânia, portanto, redefine o papel do soldado, onde a tecnologia avança, mas a resiliência e a coragem humanas permanecem insubstituíveis.