Pesquisa revela baixo nível de informação sobre vacina contra HPV Uma pesquisa recente aponta que apenas 40% das mulheres brasileiras se sentem bem informadas sobre a vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano). O estudo, realizado entre 15 e 24 de julho de 2026 com 800 mulheres de 18 a 45 anos, mostrou que 44% declararam ter bom conhecimento sobre a vacina, um aumento em relação aos 38% registrados em 2025. No entanto, o Instituto Locomotiva, responsável pela pesquisa, destaca que o conhecimento é mais elevado entre mulheres com maior renda e nível de escolaridade. Baixa cobertura vacinal e motivos para não se imunizar O cenário de informação limitada reflete diretamente na cobertura vacinal. Quatro em cada dez entrevistadas afirmaram não ter tomado a vacina contra o HPV ou não se lembram de terem sido imunizadas. Entre os motivos citados para a não vacinação, tanto em 2025 quanto em 2026, estão a inadequação de idade, o custo e a falta de informação. Esses fatores contribuem para que a vacina, crucial na prevenção, não alcance todas as mulheres que poderiam se beneficiar. A urgência da vacinação: HPV e o câncer de colo de útero A importância da vacina é sublinhada pelo alto índice de mortalidade por câncer de colo de útero no Brasil. Cerca de 20 mulheres morrem diariamente no país em decorrência da doença, que figura entre as principais causas de morte por câncer em mulheres com até 35 anos. O HPV é o responsável por aproximadamente 99% dos casos de câncer de colo de útero. A infecção pelo vírus, transmitida sexualmente, pode levar a alterações celulares que evoluem para o tumor, especialmente quando os subtipos oncogênicos (como 16 e 18) causam infecções persistentes. Entendendo o HPV e a prevenção A diretora médica de vacinas da MSD Brasil, Marina Della Negra, explica que mais de 99% dos cânceres de colo de útero são causados por infecções persistentes por subtipos oncogênicos do HPV. Estima-se que pelo menos 80% das mulheres sexualmente ativas terão contato com o vírus ao longo da vida. Na maioria das vezes, o corpo elimina o vírus naturalmente. Contudo, em alguns casos, a infecção pode se tornar crônica, levando a lesões precursoras de câncer. Fatores como imunossupressão, genética e tabagismo também podem aumentar o risco, assim como a idade, pois infecções em mulheres com menos de 30 anos tendem a regredir espontaneamente, enquanto após essa idade a persistência do vírus é mais frequente. Diagnóstico precoce e acesso à saúde O câncer de colo de útero, inicialmente, pode ser assintomático. No entanto, com o avanço da doença, sintomas como sangramento vaginal anormal, corrimento alterado, dor durante a relação sexual, e mudanças urinárias e intestinais podem surgir. O diagnóstico precoce, através de exames preventivos como o Papanicolau, oferecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), é fundamental para o sucesso do tratamento. A vacinação contra o HPV é indicada para mulheres e homens de 9 a 45 anos e é uma ferramenta poderosa de prevenção primária.