Governo Aumenta Pressão sobre Postos de Combustíveis O governo federal intensificou a fiscalização em postos de combustíveis e elevou o teto das multas aplicáveis às empresas. A ação busca conter aumentos de preços considerados abusivos e garantir que os efeitos das medidas de redução do impacto da alta internacional do petróleo cheguem aos consumidores. Corrida Eleitoral e Expectativas de Preços A ofensiva ocorre em um momento crucial: a reta final da campanha eleitoral. Embora o governo tente desvincular a iniciativa do calendário político, a expectativa era de um alívio mais rápido nos preços dos combustíveis após o anúncio de desonerações e subsídios para diesel, gasolina e etanol. No entanto, a velocidade esperada para essa redução não se concretizou nos últimos dias, levando a aumentos em diversas localidades e à expansão das margens de lucro dos postos. Novas Regras e Multas Mais Pesadas A pressão sobre o setor foi reforçada pela Medida Provisória 1.393, que elevou o teto das multas aplicadas pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) de R$ 20 mil para até R$ 500 milhões. O governo argumenta que a medida é um instrumento para coibir abusos, sem interferir na livre formação de preços. A fiscalização é vista como necessária para evitar que a política de proteção ao consumidor seja apropriada pelas margens das empresas, com relatos de margens brutas que teriam aumentado mais de 1.300%. Operação e Custos da Mitigação A recente Operação Carga Pesada mobilizou 241 ações de fiscalização, envolvendo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), Procons e Senacon. Cerca de 300 denúncias foram recebidas e 70 processos administrativos foram instaurados. A estratégia de mitigação de impactos da guerra tem um custo relevante, com cerca de R$ 27 bilhões já anunciados e aplicados. Em um país onde a Petrobras tem forte influência na formação de preços e onde desonerações funcionam como subsídios, a dificuldade da política de mitigação em chegar ao consumidor, especialmente a poucas semanas das eleições, gera desconfiança e leva o governo a intensificar suas ações no setor de combustíveis.