Reajuste do Bolsa Família e inclusão de canetas emagrecedoras no SUS geram controvérsia eleitoral O recente reajuste do Bolsa Família e o anúncio da inclusão de canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da obesidade tornaram-se temas centrais no debate eleitoral. Segundo o analista político e econômico Beny Fard, a principal questão não reside na correção de benefícios pela inflação, mas sim no momento escolhido para tais anúncios: a apenas 17 dias do primeiro turno das eleições. Direito dos beneficiários ou manobra eleitoral? Fard ressalta que a correção de programas sociais pela inflação é um direito dos beneficiários. No entanto, o acúmulo de reajustes não concedidos ao longo dos anos e a decisão de anunciar a atualização às vésperas da votação criam um forte impacto político. O Bolsa Família, que atinge cerca de 20 milhões de famílias e aproximadamente 50 milhões de brasileiros, engloba entre 25 e 30 milhões de eleitores, segundo estimativas do analista. Impacto fiscal e possível elevação de juros O analista também destacou o peso fiscal das medidas. O reajuste do Bolsa Família representaria um impacto de cerca de R$ 5,8 bilhões ainda neste ano, e adicionaria quase R$ 23 bilhões anuais a partir de 2027 e 2028. Para Fard, o aumento da pressão sobre as contas públicas pode dificultar uma futura redução dos juros, em um cenário onde a dívida pública já beira os R$ 10 trilhões e os juros consomem cerca de R$ 1 trilhão anualmente. Legalidade dos anúncios sob escrutínio Questionado sobre a legalidade dos anúncios, Fard explicou que a correção inflacionária, isoladamente, não seria um problema técnico. Contudo, o calendário eleitoral pode gerar questionamentos. Ele compara a situação ao anúncio da “PEC das Bondades” em 2022, defendendo que medidas semelhantes devem ser analisadas sob regras e entendimentos equivalentes. A inclusão das canetas emagrecedoras no SUS, embora possa ter justificativa em termos de saúde pública, também levanta dúvidas sobre o uso de instrumentos governamentais para promoção política, especialmente considerando o anúncio durante visita a uma indústria farmacêutica e a falta de clareza sobre os custos e critérios de fornecimento. Democracia em transição para o populismo? Fard ampliou a discussão, observando uma transição preocupante entre democracia e uma forma de populismo demagógico nas últimas décadas. Ele aponta que políticos podem apresentar propostas que agradam aos ouvidos dos eleitores, gerando frustração quando as promessas não se concretizam após a eleição.