Crise sem precedentes no Supremo O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, declarou nesta sexta-feira (4) que o Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa uma crise sem precedentes. Em sabatina promovida pela VEJA, o ex-governador de Goiás defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes diante das revelações que o envolvem com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Para Caiado, esses fatos comprometeram a autoridade do ministro e exigem uma "resposta institucional". Afastamento para preservar a instituição "Nunca vimos esse nível de escândalo atingir ministros do Supremo", afirmou Caiado, ressaltando que a crise não deve ser vista como um ataque ao STF, mas como uma cobrança sobre a conduta individual de seus integrantes. Ele argumentou que o afastamento de Moraes seria necessário enquanto os fatos são apurados, para "preservar a instituição" e permitir que as provas sejam analisadas sem a permanência do ministro no cargo. "Faltou decoro, faltou a liturgia do cargo", declarou. Críticas à atuação do Judiciário Além da situação específica de Moraes, Caiado criticou o que considera uma expansão da atuação do Judiciário sobre decisões que deveriam pertencer a outros Poderes. Ele mencionou a "politização excessiva" e a "judicialização de decisões do Congresso" como problemas que se acumulam ao longo de diferentes governos. O candidato lembrou de crises entre os Poderes ao longo de seus 24 anos de acompanhamento da política institucional, mas destacou que não se recorda de um episódio com a dimensão atual envolvendo membros do Supremo. Responsabilidade e Estado Democrático de Direito Caiado enfatizou que a preservação das instituições depende de que ministros e outras autoridades estejam submetidos aos mesmos parâmetros de responsabilidade e comportamento público. Ele defendeu que "o eleitor precisa saber a resposta" e que eventuais responsabilidades sejam apuradas. Contudo, sustentou que a discussão deve ser conduzida dentro dos mecanismos institucionais, pois "a eleição é soberana no sentido de prevalecer o Estado Democrático de Direito".