No coração de São Bento do Sul, Santa Catarina, a Condor, uma indústria com quase um século de tradição em utensílios de limpeza, pintura, beleza e higiene bucal, projeta um futuro ambicioso. Para este ano, a empresa almeja alcançar pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão em faturamento, um salto expressivo de 125% em relação a seis anos atrás. A meta não para por aí: a Condor planeja dobrar novamente esse valor nos próximos cinco anos, demonstrando uma visão de crescimento robusto mesmo diante de um cenário econômico desafiador. A Força da Governança Familiar Profissionalizada O sucesso e a ambição da Condor, uma empresa 100% familiar, estão intrinsecamente ligados à sua governança corporativa. Há três décadas, a empresa iniciou uma bem-sucedida transição para uma gestão profissional. Em 1996, a família fundadora, diante da aposentadoria do então presidente, optou por uma abordagem inovadora: a saída simultânea de todos os herdeiros da gestão executiva e a contratação de profissionais externos. Essa decisão, embora rara em empresas familiares, permitiu a entrada de conselheiros independentes e um distanciamento estratégico dos acionistas, que hoje atuam no conselho de acionistas, elegendo o conselho de administração, mas sem interferir na operação diária. Mecanismos como observadores nas reuniões do conselho e relatórios mensais garantem o alinhamento entre a liderança e os cerca de cinquenta herdeiros. Crescimento Acelerado Impulsionado pela Pandemia e Diversificação O período de crescimento mais acelerado da Condor sob a liderança do atual presidente, Alexandre Wiggers, que ascendeu de office-boy a CEO, coincide com o início da pandemia de COVID-19. A empresa estava bem preparada, com acesso a matérias-primas, capacidade de importação e canais de venda estruturados. Quando a demanda por seus produtos disparou – impulsionada pelo desejo dos brasileiros de melhorar seus lares e pela necessidade de higienização em estabelecimentos comerciais –, a Condor respondeu rapidamente, sem demissões. Uma aquisição estratégica de uma pequena empresa de produtos de limpeza profissionais antes da pandemia resultou em um crescimento exponencial para essa divisão, que saltou de R$ 13 milhões para R$ 100 milhões anuais. Navegando em Cenário Econômico Adverso Apesar do ímpeto pós-pandemia, a Condor enfrenta desafios macroeconômicos e setoriais. Taxas de juros elevadas encarecem o capital, a inflação de insumos, agravada por conflitos globais, eleva custos, e o consumo é afetado pelo endividamento da população e pelo surgimento de novos gastos, como apostas online e medicamentos para emagrecimento, que drenam a renda antes destinada a bens de consumo não duráveis. A pressão sentida no varejo se estende à cadeia produtiva, exigindo adaptação de portfólio, preços e embalagens ao orçamento mais limitado dos consumidores. Estratégia de Investimento e Inovação para o Futuro A estratégia da Condor para sustentar o crescimento em um cenário desafiador é clara: manter investimentos em alta, com foco em inovação, lançamento de novos produtos e diversificação de clientes, incluindo o mercado externo, que já representa 7% das vendas. A empresa investirá R$ 43 milhões até o final do ano, com parte destinada à aquisição de um terceiro centro de distribuição e o restante para revitalização de fábrica, diversificação de portfólio, logística e trade marketing. A criação recente de uma área de inovação visa garantir que projetos promissores recebam o devido incentivo e orçamento. Com essa combinação de governança sólida, visão estratégica e investimento contínuo em inovação, a Condor se prepara para alçar voos ainda mais altos.