Preocupação com a PF O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou, em conversas recentes com interlocutores, grande apreensão em relação à escalada da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Uma das principais preocupações de Lula é a suposta intenção de Mendonça de desqualificar e até mesmo afastar Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Essa manobra, segundo o presidente, poderia levar a crise para mais perto do Palácio do Planalto. O receio de Lula foi compartilhado em reuniões com o presidente do STF, Edson Fachin, e com o decano da Corte, Gilmar Mendes. A avaliação é que a instabilidade no Supremo, especialmente com o risco de interferência na chefia da PF, pode ter repercussões diretas na esfera do Poder Executivo. Risco de associação com Moraes Outro temor significativo para o presidente Lula é a tentativa de associá-lo ao ministro Alexandre de Moraes. Em ano eleitoral, a imagem de Moraes tem sido considerada "radioativa" para políticos que concorrerão nas urnas em outubro. Pesquisas internas do Planalto indicam que a aproximação entre Lula e Moraes, que se intensificou após os eventos de 8 de janeiro de 2023, pode representar uma perda de votos para o petista. Diante desse cenário, Lula tem evitado mencionar nominalmente o ministro em suas manifestações públicas. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente enfatizou a necessidade de investigar "todo mundo, sem blindagem de ninguém. Doa a quem doer", ressaltando que seu governo atuou na prisão de um banqueiro envolvido em esquemas e que a democracia não pode ser refém de vazamentos seletivos. Críticas à condução da crise Em conversas com ministros do STF, após a divulgação de pedidos feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, uma das queixas ouvidas foi a suposta apatia do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. Magistrados avaliam que ele estaria incapaz de gerenciar a crise e controlar a Polícia Federal, além de criticarem a postura do Executivo em defender a corporação. Suspeitas sobre o diretor-geral da PF Especificamente em relação a André Mendonça, relator de casos importantes como o do INSS e do Banco Master, a desconfiança recai sobre o diretor-geral da PF. Mendonça suspeita que Rodrigues poderia vazar informações confidenciais sobre descobertas sensíveis, especialmente aquelas que envolvem o empresário Fávio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, investigado em três inquéritos no STF por suposto tráfico de influência. Um relatório de inteligência da PF, tornado público por Alexandre de Moraes, registra que Mendonça reiteradamente afirmou em reuniões que o diretor-geral mantém uma "proximidade inadequada com o Presidente da República", o que o levaria a não confiar nele. O relatório ainda aponta que Mendonça declarou ter um procedimento em andamento para avaliar o eventual afastamento de Rodrigues do cargo.