A Corte em Ebulição O Supremo Tribunal Federal (STF) encontra-se no centro de uma intensa crise de relacionamento entre seus ministros, com nove dos dez magistrados tendo se envolvido, de alguma forma, em desdobramentos recentes do caso Banco Master. A situação escalou após o ministro André Mendonça tornar públicas mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, preparando o terreno para um novo capítulo nesta terça-feira, quando o plenário analisará o relatório da Polícia Federal sobre os diálogos em questão. Cármen Lúcia, a Única à Margem Até o momento, a ministra Cármen Lúcia figura como a única integrante da Corte que não se pronunciou ou agiu diretamente nas controvérsias relacionadas ao caso Banco Master, mantendo-se à parte do embate entre seus colegas. Envolvimento de Toffoli e o Papel Central de Moraes e Mendonça O primeiro ministro a ter seu envolvimento revelado foi Dias Toffoli, que em fevereiro deste ano deixou a relatoria do caso. A decisão ocorreu após admitir ser sócio de uma empresa que negociou um resort com um fundo ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro. Contudo, as figuras centrais dos desdobramentos mais recentes têm sido Alexandre de Moraes e André Mendonça. O acirramento entre eles provocou reações e decisões de outros ministros, pressionados por uma resposta institucional. Decisões Divididas e Apoio a Mendonça e Moraes Em decisões que refletem a divisão na Corte, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux endossaram a posição de Mendonça ao apoiar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Embora a 2ª Turma tenha formado maioria para confirmar a medida, ela foi posteriormente invalidada. Gilmar Mendes, também atuante na 2ª Turma, pediu vista do julgamento e, em ofício enviado na última sexta-feira, sugeriu que o presidente do STF, Edson Fachin, assumisse a relatoria. Mendes também defendeu Moraes, expressando dúvidas sobre a validade de julgamento das conversas com Vorcaro. Intervenções e Busca por Transparência Em contrapartida, Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues à chefia da PF, revertendo a decisão inicial. O ministro Cristiano Zanin também se inseriu diretamente no embate na véspera do julgamento, solicitando acesso à íntegra dos dados do celular de Daniel Vorcaro. A solicitação surge após Mendonça ter reafirmado a Fachin a posição contrária ao compartilhamento dessas informações. As mídias foram enviadas aos gabinetes de Zanin e Gilmar Mendes nesta segunda-feira, por determinação de Fachin.