Crise Climática Global e Seus Reflexos na Agricultura O cenário agrícola mundial está sob forte pressão devido a eventos climáticos adversos. Secas severas na Europa e nos Estados Unidos já impactam as safras de trigo, milho e soja, gerando preocupações com a oferta global de grãos. Alexandre Mendonça de Barros, economista e sócio da E&Y, ressalta que esses efeitos não são projeções futuras, mas uma realidade em curso que pode remodelar o mercado. El Niño no Brasil: Um Risco Iminente para a Soja No Brasil, a expectativa é de um risco climático elevado para a próxima safra, com modelos meteorológicos apontando para uma redução nas chuvas a partir de novembro e dezembro, especialmente nas regiões Centro e Nordeste. O economista compara o cenário atual ao episódio de El Niño de 2015, quando algumas regiões brasileiras registraram perdas de até 60% na safra. A relevância agrícola de estados como Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e o Norte de Mato Grosso é significativamente maior hoje do que há quase uma década, intensificando o potencial impacto de qualquer anomalia climática. Cenário Binário para os Preços da Soja: Alta ou Estabilidade? Mendonça de Barros delineia dois cenários possíveis para as cotações da soja. Se o El Niño seguir um padrão clássico, semelhante a 2015, a oferta brasileira sofrerá uma retração considerável, levando os estoques globais a níveis críticos, comparáveis a 2013, um período de forte escassez no mercado internacional. Nesse caso, o economista não tem dúvidas de que o preço da soja experimentará uma alta expressiva. Por outro lado, se o aquecimento do Atlântico mitigar os efeitos do Pacífico, garantindo chuvas no Nordeste, as perdas podem ser menores, e os preços atuais poderiam até mesmo sofrer uma leve retração. Recomendação para Produtores e Perspectivas para o Setor Diante da incerteza climática e da volatilidade esperada nos preços, Mendonça de Barros aconselha uma estratégia mista para os produtores rurais: comercializar parte da safra aproveitando os preços já elevados, sem apostar integralmente em uma valorização adicional. O economista acredita que o ciclo de preços no agronegócio está em um momento de virada, impulsionado pela menor expansão da oferta mundial, estoques globais reduzidos e riscos climáticos crescentes. Ele prevê um ciclo positivo para a agricultura brasileira nos próximos anos, com a melhora das cotações beneficiando primeiramente os produtores e, consequentemente, o acesso ao crédito e a capitalização do setor, mesmo com a expectativa de não haver expansão da área plantada no curto a médio prazo.