Ascensão de um clã político no Pará As eleições de outubro podem marcar um ponto de virada na política brasileira, com a família do senador Jader Barbalho (MDB-PA) se consolidando como a maior oligarquia política do país. Diferentemente de famílias tradicionais como os Sarney no Maranhão, os Arraes em Pernambuco e ACM Neto na Bahia, que enfrentam declínio em seu poder regional, os Barbalho se preparam para expandir sua influência nos âmbitos Executivo, Legislativo e Judiciário do Pará. Raízes e Longevidade Política A trajetória da oligarquia Barbalho remonta ao deputado estadual Laércio Barbalho (PSD) no final da década de 1960. Dentre seus sete filhos, Jader Barbalho trilhou uma carreira política notável, acumulando passagens como vereador, deputado estadual, deputado federal, governador por duas vezes, ministro em duas ocasiões e, atualmente, senador pela terceira vez. Apesar de ter enfrentado diversas denúncias de corrupção, incluindo uma prisão em 2001 por desvios de verbas públicas, a família demonstrou resiliência. Expansão Familiar e Poder Institucional Atualmente, seis membros da família Barbalho disputam cargos eletivos, somando-se a um que já ocupa a prefeitura da capital. O deputado José Priante (MDB), primo de Helder Barbalho, busca seu oitavo mandato. A vereadora Nay Barbalho (MDB), sobrinha de Jader, concorre a uma vaga de deputada estadual. Igor Normando (MDB), prefeito de Belém e sobrinho de Elcione Barbalho (ex-esposa de Jader e mãe de Helder e Jader Filho), também disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa estadual. O Legado de Jader e a Sucessão Familiar O ex-governador Helder Barbalho foi o escolhido por Jader para dar continuidade ao projeto de poder da família. Uma pesquisa recente da Real Time Big Data indica que Helder lidera as intenções de voto para o Senado no Pará com 36%, enquanto seu primeiro suplente é o próprio Jader Barbalho. A influência da família se estende a órgãos públicos importantes: Daniela Baralho, esposa de Helder, é conselheira do Tribunal de Contas do Estado; Mara Lúcia Barbalho, tia de Helder, ocupa cargo no Tribunal de Contas dos Municípios; e Alex Centeno, desembargador do Tribunal de Justiça do Pará, é primo de Helder. Essa concentração de poder ocorre em um estado que, segundo o Índice de Progresso Social de 2026, apresenta a pior qualidade de vida entre as unidades federativas do Brasil. O cientista político Alberto Aggio, da USP, descreve o clã Barbalho como um exemplo da 'velha política regionalista que se fixou dentro dos espaços da redemocratização do país'.