Estratégia de Fachin pode gerar perda de protagonismo A forma como o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, conduz as crises que envolvem a Corte tem sido alvo de análise. Segundo Flávia Maia, analista Judiciário do JOTA, a estratégia de Fachin de estudar cenários e possibilidades antes de agir pode, paradoxalmente, resultar em perda de protagonismo para a sua liderança. “A liderança de Fachin acaba sendo atropelada, muitas vezes, pelos outros ministros”, afirmou Maia em entrevista ao WW. A analista explica que, ao solicitar manifestações e aguardar, Fachin cede espaço para que outros magistrados assumam a dianteira nas discussões e decisões. Crise no STF: um problema coletivo A recente quebra de sigilo de um relatório da Polícia Federal, revelando conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e um ex-banqueiro, reacendeu a tensão no STF. Flávia Maia ressalta que a crise atual não é isolada, mas sim do tribunal como um todo. “É uma crise do Alexandre de Moraes, é uma crise do Mendonça, mas mais do que isso, é uma crise do Supremo”, destacou a especialista, indicando que o foco em questões penais tem se sobreposto às discussões constitucionais, uma inversão que, segundo ela, deveria ser revista. Fachin deve assumir investigações diretamente Flávia Maia avalia que há indicativos de que Edson Fachin pretende conduzir pessoalmente as investigações que envolvem os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, sem delegar essas apurações. “Eu acho que já dá para indicar esse caminho dele, assumir isso, não terceirizar”, disse a especialista. Quanto ao caso Master, Maia considera que a situação ainda é incerta e demanda mais tempo para ser esclarecida. Placar incerto em votações sobre investigações Em relação a uma eventual votação para a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, Flávia Maia aponta que alguns votos permanecem imprevisíveis. Ela identifica uma ala definida, composta por Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que tende a votar pela nulidade do procedimento, seguindo o posicionamento do Procurador-Geral da República. Os votos de Cármen Lúcia e do próprio Fachin são considerados incertos, devido ao compromisso de ambos com questões éticas. Quanto ao ministro Dias Toffoli, Maia sugere que uma saída diplomática seria a declaração de suspeição, como já ocorreu em casos anteriores envolvendo o Master. A analista pondera que votar pela abertura de uma investigação contra um colega poderia criar um precedente perigoso para o próprio Toffoli.