Sinais de vida em meio à tragédia Há uma forte esperança de que dezenas de trabalhadores estejam vivos após passarem uma semana presos em uma estrutura dentro de um túnel na usina hidrelétrica de Rasuwagadhi, no Nepal. A afirmação é de Amhsu Kiran Shahi, membro do conselho da Autoridade de Eletricidade do Nepal, que declarou à Reuters: “Em Rasuwagadhi, acreditamos que 46 pessoas estão presas em uma estrutura semelhante a uma sala dentro do túnel. Estamos muito confiantes de que eles devem estar vivos depois de uma semana porque (...) têm comida e água no prédio.” Balanço trágico e buscas intensificadas A enchente relâmpago que atingiu o Himalaia na semana passada já deixou 1.130 mortos no total. No Nepal, 1.114 corpos foram encontrados, segundo o NDRRMA (Autoridade Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres). O governo chinês confirma 16 mortes. Ao todo, 4.500 pessoas estão desaparecidas em ambos os lados da fronteira, e 12.000 foram resgatadas, incluindo 279 trabalhadores de usinas hidrelétricas encontrados com vida. A catástrofe, causada pelo colapso de uma geleira, ocorreu em 26 de agosto, devastando a região de fronteira entre China e Nepal. Desafios nas operações de resgate O Projeto Hidrelétrico de Rasuwagadhi, localizado em um vale montanhoso próximo à fronteira com a China, é um dos locais mais afetados. O Exército do Nepal tentou acessar o túnel onde os trabalhadores estariam presos, mas ainda não localizou a sala específica. “Vamos entrar novamente”, garantiu Shahi. Em outras usinas, como a Upper Trishuli 3A, socorristas levaram quase seis dias para encontrar os túneis devido à grande quantidade de lama. A esperança reside em espaços secos dentro dessas instalações, onde sobreviventes poderiam ter se abrigado. O desastre gerou cerca de 2,2 milhões de toneladas de detritos, o equivalente a seis prédios do Empire State. China retoma acesso e intensifica buscas Enquanto isso, a China reabriu completamente a única estrada que levava à passagem de fronteira com o Nepal, permitindo a chegada de maquinário pesado à área afetada. Equipamentos e suprimentos foram lançados de paraquedas para os socorristas, e alguns tiveram que atravessar montanhas a pé. A emissora estatal chinesa CCTV mostrou equipes de resgate, escavadeiras, aparelhos de detecção de vida e cães farejadores em ação. As operações, no entanto, enfrentam dificuldades devido às chuvas persistentes, ao terreno acidentado e às encostas instáveis. O risco de novas inundações por lagos glaciais diminuiu, mas deslizamentos de terra continuam sendo uma preocupação. No Nepal, as autoridades admitem que as esperanças de encontrar mais sobreviventes estão diminuindo.