Vitória Histórica no Senado O partido de extrema-direita Reunião Nacional (RN) e seus aliados alcançaram um feito inédito no Senado da França, conquistando um recorde de 14 cadeiras. Este resultado representa uma multiplicação por quatro do número de representantes do partido na câmara alta, consolidando sua presença antes das eleições presidenciais do próximo ano. Em 2014, o RN possuía apenas dois senadores, e em 2023, eram três. A líder do partido e provável candidata presidencial, Marine Le Pen, celebrou a conquista como uma "vitória histórica" e um "marco importante", destacando a formação de um grupo parlamentar no Senado pela primeira vez. O Impacto do Sistema de Votação Indireta O sistema de votação indireta do Senado francês, onde autoridades locais eleitas escolhem os novos senadores, parece ter favorecido o crescimento do RN. A eleição de domingo, realizada por prefeitos e vereadores, reflete o aumento do apoio ao partido em cidades de médio porte, evidenciado nas eleições municipais de março, e também seu alcance entre prefeitos rurais independentes. Dos 14 senadores conquistados, nove são diretamente do RN, enquanto outros dois foram eleitos por listas aliadas. Impulso para a Campanha Presidencial Líderes do RN veem essa vitória no Senado como um forte impulso para a campanha presidencial de 2027. O presidente do partido, Jordan Bardella, anunciou que os senadores do RN formarão um grupo com os aliados do União da Direita para a República (UDR). Sebastien Chenu, deputado do RN, classificou o avanço como um "impulso para a campanha presidencial" e declarou que não há mais "teto de vidro" para o partido. Edwige Diaz, que obteve uma vitória expressiva no departamento de Gironde, também ressaltou a utilidade do resultado para a futura disputa presidencial. Cenário Presidencial em Disputa A ascensão do RN no Senado ocorre em um contexto de polarização política na França. Pesquisas recentes indicam que Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon, da extrema-esquerda, figuram em todos os cenários de segundo turno para as próximas eleições presidenciais. Com o atual presidente Emmanuel Macron impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, a disputa promete ser acirrada entre os extremos, em um cenário marcado por alta inflação, estagnação econômica e instabilidade geopolítica.