Fachin defende tramitação separada O ministro Edson Fachin votou nesta terça-feira (23) para que os casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça tramitem separadamente no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão de Fachin vai de encontro ao entendimento de outros magistrados, que defendem a unificação dos procedimentos. Dino e Zanin divergem de Fachin e votam pela união dos casos Em um momento de alta tensão na Corte, os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin divergiram de Fachin. Dino, ao concluir seu voto, defendeu a junção dos casos, argumentando que eles são partes da mesma questão. Em seguida, Zanin acompanhou o voto de Dino, estabelecendo um placar inicial de 2 a 1 a favor da unificação. Impedimentos e embates marcam a sessão A sessão extraordinária foi marcada por embates entre os magistrados e declarações de impedimento. Dias Toffoli e Nunes Marques se declararam impedidos de julgar o relatório, após mensagens citarem pagamentos a um filho e a ausência de motivos para o impedimento, respectivamente. A votação sobre a unificação dos casos ainda está em andamento e pode terminar empatada, com a expectativa de que os votos de Mendonça e Fux sejam pela separação, enquanto Moraes, naturalmente, votará pela união. Dino critica falta de rito e prevê crise semanal Durante o debate, Flávio Dino criticou a ausência de um rito claro definido por Fachin para a tramitação dos casos. "Como vai ser? Vamos escolher um rito para cada um? Como vamos escolher um rito caso a caso para vários casos? Acho que isso conduzirá para um caminho de dissolução irreparável. Vai ser uma crise por semana, precificada", alertou o ministro. Dino também aproveitou para rebater críticas de Marco Aurélio Mello, citando habeas corpus concedidos pelo ex-ministro que levaram à fuga de réus famosos. O cerne da decisão: Investigar ou não Moraes? É fundamental compreender que a decisão em pauta se restringe a determinar se há elementos para a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes. A discussão sobre a unificação dos casos visa, segundo alguns analistas, a criar um cenário onde a apuração seja dificultada, especialmente se a intenção for juntar todos os procedimentos para, ao final, não investigar nada. A estratégia de plenário por trás do conflito jurídico é um dos pontos centrais do debate no STF.