Abrapa Luta por Fibras Naturais e Alerta para Riscos da MP das Blusinhas A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) reafirma seu compromisso em defender políticas públicas que promovam o uso de fibras naturais e conscientizem sobre os perigos dos microplásticos. A declaração surge após a tramitação da Medida Provisória nº 1.357/2026, popularmente conhecida como a “MP das blusinhas”, que visava regulamentar a tributação de compras internacionais de baixo valor. Proposta de Incentivo a Fibras Naturais Rejeitada Durante as discussões no Congresso, a Abrapa apresentou dados sobre o crescimento das fibras sintéticas no mercado brasileiro e seus impactos ambientais. Uma das propostas em destaque era a Emenda nº 52, do senador Carlos Fávaro (PSD-MT), que sugeria a criação de uma contribuição sobre a importação de produtos têxteis acabados contendo fibras sintéticas. O objetivo era duplo: reduzir a poluição por microplásticos e impulsionar a produção e o consumo de fibras naturais, como o algodão. Contudo, a emenda foi retirada do texto final da MP, sob o argumento de que criaria uma nova contribuição e extrapolaria o escopo principal da medida, além de necessitar de uma discussão mais aprofundada. Impactos da MP no Setor Têxtil e de Algodão O eventual fim da “Taxa das Blusinhas”, que tributa compras internacionais de pequeno valor, gera apreensão no setor produtivo de algodão. Segundo representantes da Abrapa, a medida pode levar a uma redução da demanda doméstica por algodão, uma vez que os consumidores podem voltar a dar preferência a produtos importados mais baratos. Cerca de um terço da produção nacional de algodão é consumida internamente para a fabricação de produtos finais. A diminuição da demanda interna pode forçar os produtores a buscar novos mercados internacionais, aumentando o volume de exportações, mas também pode desvalorizar o preço da pluma de algodão, pressionando as margens de lucro e potencialmente levando à redução da área plantada. Indústria Nacional em Risco e Déficit Comercial A indústria de varejo, que depende do algodão brasileiro para sua produção, também pode ser impactada. A competitividade frente aos concorrentes internacionais pode ser afetada. O programa Remessa Conforme, que estabelece a tributação de 20% para compras de até US$ 50 e 60% para valores superiores, arrecadou R$ 9,6 bilhões desde sua implementação. Apesar da tributação, as importações têxteis ainda superam as exportações em US$ 5,7 bilhões, evidenciando um déficit comercial significativo no setor, que fatura R$ 221 bilhões e emprega 1,31 milhão de pessoas no Brasil. O Debate Continua: Foco em Sustentabilidade e Fibras Naturais Apesar da exclusão da emenda, a Abrapa assegura que o debate sobre a sustentabilidade e o incentivo às fibras naturais está longe de terminar. A entidade planeja manter ações de comunicação e conscientização sobre microplásticos e fibras naturais, e considera a possibilidade de apresentar um projeto de lei específico na próxima legislatura. “O debate dentro da MP não encerra a pauta. Vamos continuar contribuindo com informações e dialogando para que o Brasil possa construir políticas públicas que estimulem escolhas mais sustentáveis e ampliem o espaço do algodão”, declarou Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa. A associação avalia que a discussão em torno da MP já contribuiu para aumentar a conscientização sobre o avanço das fibras sintéticas e seus impactos ambientais.