Diante das severas ondas de calor e secas que devastaram lavouras e pastagens neste verão, a França anunciou um pacote de auxílio de mais de 1 bilhão de euros (aproximadamente US$ 1,16 bilhão) para seus agricultores e pecuaristas. O anúncio foi feito pelo governo francês nesta sexta-feira (4), em um esforço para lidar com as consequências de um clima extremo que comprometeu o abastecimento de água e a produção agropecuária do país. Esforço Orçamentário Massivo para Gerenciar a Crise Climática A ministra da Agricultura, Annie Genevard, destacou que o montante representa um "esforço massivo" dentro do atual contexto orçamentário. Metade do pacote, totalizando 520 milhões de euros, será liberada imediatamente para auxiliar os produtores a enfrentar os danos causados pelas condições climáticas adversas. A FNSEA, principal sindicato de agricultores da França, estima que as perdas de produção ultrapassem os 10 bilhões de euros, com os setores de pecuária e de cultivos agrícolas registrando perdas de mais de 5 bilhões de euros cada. "O objetivo imediato é gerenciar a emergência", afirmou Genevard. Fundo de Recuperação e Medidas de Apoio Adicionais O plano de auxílio inclui a criação de um fundo de recuperação de 235 milhões de euros, destinado a ajudar as fazendas a adquirir sementes, ração animal e insumos de plantio, essenciais após as secas que deixaram os solos áridos. Segundo a ministra, entre 30 mil e 35 mil fazendas francesas enfrentam dificuldades financeiras. Medidas adicionais englobam alívio no imposto territorial, auxílio com pagamentos de seguridade social e um subsídio para o combustível. Impacto Econômico e Piora na Safra de Milho O Ministério das Finanças francês estima que o clima seco e quente deste verão possa impactar negativamente o crescimento econômico do país em 0,1 ponto percentual neste ano, devido às perdas na receita agrícola. Enquanto isso, uma nova onda de calor é esperada para esta semana, afetando o maior produtor agrícola da União Europeia. A situação da safra de milho é particularmente alarmante: em 31 de agosto, apenas 27% das lavouras estavam em condições boas ou excelentes, a pior marca desde 2011 e um contraste gritante com os 62% registrados no ano anterior. O Ministério da Agricultura projeta uma queda de 35% na produção de milho em relação ao ano anterior, com analistas prevendo um colapso de até 50%, o menor nível desde 1976. Colheita Acelerada em Meio a Condições Desafiadoras Apesar de chuvas e temperaturas mais amenas terem sido registradas na semana passada, o clima quente e seco voltou a predominar, com previsões de temperaturas alcançando 40°C em algumas regiões do sul. Os agricultores já iniciaram a colheita de milho em grão, com 3% da área colhida até 31 de agosto, um ritmo que supera a média histórica de 1% para o mesmo período. O milho é a cultura que mais tem sofrido com os eventos climáticos extremos, pois o verão europeu coincide com o pico de seu ciclo vegetativo.