IA Amplia Valor da Formação Superior Contrariando expectativas, a inteligência artificial (IA) está tornando a formação universitária ainda mais crucial, conforme um estudo inédito da Pearson em parceria com a Amazon Web Services (AWS). A pesquisa, que ouviu estudantes, empregadores e líderes educacionais em seis países, incluindo o Brasil, revela que o diploma se consolida como um diferencial importante na era da IA. No Brasil, 74% dos estudantes e empregadores concordam que a IA eleva a importância do ensino superior. "A IA tornou o acesso à informação muito mais rápido, mas acesso à informação não é a mesma coisa que aprendizagem", explica Heloísa Avilez, diretora de Higher Education da Pearson. Segundo ela, a universidade oferece contexto, método e experiências que promovem o desenvolvimento do pensamento crítico e a capacidade de transformar conhecimento em soluções práticas, algo que a simples obtenção de dados não substitui. Descompasso entre Alunos e Instituições no Uso da IA A pesquisa expõe uma preocupante lacuna: apenas 15% dos estudantes universitários brasileiros conhecem as regras de suas instituições sobre o uso de IA. Mais alarmante ainda, 30% preferem que os professores não saibam quando utilizam essas ferramentas. Esse cenário indica um descompasso entre a rápida adoção da tecnologia pelos alunos e a lentidão das universidades em orientar seu uso pedagógico. "Quando o estudante não sabe claramente o que pode fazer, como pode usar a ferramenta ou de que maneira esse uso será avaliado, o uso da tecnologia pode acabar ocorrendo fora do diálogo pedagógico com o professor", alerta Avilez. Especialistas como o neurocientista e especialista em IA, Álvaro Machado, apontam a ausência de diretrizes claras como um fator que leva os alunos a temerem ser vistos como trapaceiros ao usar a IA. Brasil em Desvantagem Metodológica e Mercado de Trabalho Embora o uso da IA para "cortar caminho" seja comum entre estudantes brasileiros, o país apresenta defasagem em metodologias institucionais. Em comparação com países asiáticos e os Estados Unidos, onde disciplinas sobre IA já estão mais avançadas, as universidades brasileiras ainda precisam desenvolver abordagens que ensinem o uso crítico e orientado da tecnologia. O mercado de trabalho brasileiro já reflete essa necessidade. O uso de ferramentas de IA e a compreensão de seus riscos e limitações aparecem empatados como prioridades dos empregadores na contratação de graduados (44% cada). Sem a devida orientação universitária, a tendência é que os estudantes incorporem informações da IA de forma acrítica, aumentando a vulnerabilidade a fake news e limitando o desenvolvimento da autonomia intelectual. Machado ressalta que "as coisas do mundo real contam mais do que nunca", reforçando a necessidade de uma parceria entre universidades, estudantes e empresas para garantir a relevância contínua do diploma.