Alta Expressiva no Mercado Internacional O conflito em escalada no Oriente Médio, com a expansão das tensões para o Mar Vermelho e a contínua instabilidade no Estreito de Ormuz, provocou um salto expressivo nos preços do petróleo. O barril do tipo Brent, referência mundial, fechou a quinta-feira cotado a US$ 107,63, um aumento de 6,34% em relação ao dia anterior. Desde a retomada das hostilidades na região, a alta acumulada supera os 20%. A referência americana, o WTI, também sentiu o impacto, encerrando o dia a US$ 102,48, com uma valorização de 6,69%. Histórico e Perspectivas de Longo Prazo Esses patamares não eram vistos desde maio, período anterior a uma trégua e a um acordo entre Irã e Estados Unidos. O Brent acumula uma alta de mais de 75% no ano, embora ainda esteja abaixo do pico de US$ 126 alcançado em abril, durante o ápice da guerra. A Guarda Revolucionária do Irã reivindicou ataques a um drone marítimo americano no Estreito de Ormuz, em resposta a ações dos EUA, sinalizando uma possível intensificação dos confrontos caso as tensões persistam. Impacto em Cadeias de Suprimentos e Consumo A situação geopolítica afeta diretamente as cadeias de suprimentos globais e os preços para o consumidor final. Os houthis, apoiados pelo Irã no Iêmen, avançam em áreas estratégicas no Mar Vermelho, ameaçando rotas marítimas cruciais. Nos Estados Unidos, os preços do diesel no varejo se aproximam de US$ 6 por galão, e os contratos futuros de gasóleo na Europa atingem quase US$ 200 o barril. Os estoques de diesel nos EUA estão projetados para cair ao menor nível em mais de duas décadas, apesar de um recente aumento pontual. Cenário Brasileiro e Político No Brasil, o aumento do petróleo internacional já se reflete nos postos de gasolina, com um aumento expressivo nos preços. O custo dos subsídios a combustíveis já alcançou R$ 37,5 bilhões até setembro, e o governo indica que a alta do petróleo pode compensar a desoneração tributária. Nos Estados Unidos, a alta dos combustíveis se tornou um ponto sensível para a política, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando, em novembro.