A Origem e a Criação do Parlamento Israelense Os eleitores israelenses se preparam para ir às urnas em breve, renovando os membros do Knesset, o Parlamento de Israel. Esta instituição, que tem a importante tarefa de escolher o próximo governo, tem suas raízes em um conselho representativo judaico da antiguidade, o Knesset Hagedolah (Grande Assembleia), que se reuniu em Jerusalém no século V a.C. A estrutura moderna do Knesset foi estabelecida logo após a fundação do Estado de Israel, em 1948. Inicialmente, o país contou com uma legislatura temporária, o Conselho do Povo, com 37 membros. Em janeiro de 1949, ocorreram as primeiras eleições para a Assembleia Constituinte. Após essa eleição, a assembleia adotou oficialmente o nome de Knesset e elegeu Chaim Weizmann como seu primeiro presidente. David Ben-Gurion, figura chave na criação do Estado, formou o primeiro governo e assumiu como primeiro-ministro. Como Funciona o Knesset e o Sistema Eleitoral O sistema parlamentarista de Israel prevê a eleição de 120 legisladores para um mandato de quatro anos. Estes membros se reúnem em uma única câmara. O voto é facultativo, um direito garantido a todos os cidadãos israelenses com 18 anos ou mais, e é realizado por meio de cédulas de papel. A população escolhe os integrantes do Knesset, que, por sua vez, elegem o primeiro-ministro. O gabinete ministerial, liderado pelo premiê, é quem dirige os assuntos públicos do país. Atualmente, Israel está em sua 25ª legislatura. O presidente do país, Isaac Herzog, exerce a função de chefe de Estado, com atribuições majoritariamente cerimoniais e formais. Já a chefia de governo recai sobre o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Desafios e Dinâmica Política do Knesset Para que um partido conquiste um assento no Parlamento, é necessário obter no mínimo 3,25% dos votos. Essa cláusula de barreira, considerada baixa em comparação com outros países, permite que partidos menores também alcancem representação no Knesset. Historicamente, nenhum partido obteve os 61 assentos necessários para formar maioria absoluta e governar sozinho, o que leva à formação de governos por meio de coalizões, que muitas vezes se mostram instáveis. O Knesset pode ser dissolvido antes do fim do mandato de quatro anos, seja por decisão dos próprios legisladores ou do primeiro-ministro, resultando em eleições antecipadas. Até a formação da nova composição, a legislatura vigente permanece no poder de forma interina. Curiosamente, a legislatura atual é a primeira desde 1988 a ter a perspectiva de completar seu mandato integral sem dissolução antecipada. O Processo Legislativo e a Confiança Pública Os debates no Knesset ocorrem em sessões plenárias, onde projetos de lei, propostos pelo governo ou por outros legisladores, são discutidos. Além disso, funcionam 15 comissões permanentes, responsáveis por temas como Relações Exteriores, Educação, Cultura, Finanças e Meio Ambiente. Para que um projeto se torne lei, ele precisa ser aprovado em três leituras no plenário por maioria simples (61 votos). Após a aprovação, o texto é assinado pelo presidente do Knesset, publicado no diário oficial com a assinatura do presidente do país e do primeiro-ministro, e finalmente carimbado pelo ministro da Justiça, tornando-se lei. Independentemente do partido no poder, o próximo governo enfrentará o desafio de restaurar a confiança da população nas instituições, incluindo o próprio Knesset. Segundo João Koatz Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv, os israelenses se interessam profundamente pela política e compreendem a importância da democracia parlamentarista. Contudo, há uma percepção de que o parlamento atual não atendeu às expectativas, abrindo espaço para a busca por mudança. Um relatório do Israel Democracy Institute de 2025 indicou que apenas 29,5% dos israelenses avaliam a situação do país como boa. A confiança nas instituições políticas também é baixa: quase metade dos entrevistados (46,5%) sugeriu que seria melhor “desmanchar todas as instituições políticas do país e recomeçar do zero”. A confiança no governo não ultrapassa 25% entre judeus e árabes, e no Knesset, a confiança é de apenas 18%.