O que é o laser íntimo e como funciona? O laser íntimo, técnica que ganhou destaque após a influenciadora Virginia Fonseca relatar seu uso para tratar escapes de urina, utiliza energia para estimular os tecidos da região vaginal. Segundo a ginecologista Fernanda Nassar, especialista em estética íntima, essa estimulação pode promover processos de remodelação e aumentar a produção de colágeno. No entanto, os resultados variam de acordo com o equipamento, os parâmetros utilizados e, principalmente, a condição específica de cada paciente. Diferente do que se pode pensar, o laser íntimo não possui um protocolo único. A indicação, intensidade e número de sessões são definidos com base na queixa e nas características individuais de cada mulher. A médica ressalta que o termo "rejuvenescimento vaginal" pode ser enganoso, pois o objetivo principal é melhorar características específicas do tecido ou tratar queixas clínicas, configurando uma abordagem médica e não meramente estética. Escapes de urina: a importância do diagnóstico antes do tratamento Quando o assunto é a perda involuntária de urina, a ginecologista Fernanda Nassar enfatiza que a escolha de qualquer técnica, incluindo o laser, deve ser precedida por uma investigação aprofundada da causa. A incontinência urinária pode estar ligada à fragilidade do assoalho pélvico, mudanças decorrentes da gestação e do parto, ou outros fatores. Identificar o tipo de perda e as estruturas envolvidas é crucial para definir a conduta mais adequada. "Quando uma mulher percebe que começa a perder urina ao rir, tossir, espirrar, correr ou treinar, isso não deve ser simplesmente atribuído à maternidade ou ao envelhecimento. É um sinal de que alguma estrutura envolvida na continência urinária precisa ser avaliada. O tratamento começa pelo diagnóstico, e não pela escolha de uma tecnologia", orienta a especialista. Laser íntimo como parte de um tratamento individualizado O laser íntimo pode ser uma ferramenta valiosa dentro de uma estratégia de tratamento individualizada para a incontinência urinária, mas não substitui a avaliação médica ou outras terapias quando estas são necessárias. A aplicação da técnica deve considerar o histórico ginecológico da paciente, seus sintomas, as condições da mucosa vaginal e a presença de infecções ou outras alterações. Dependendo da queixa, uma avaliação do assoalho pélvico também pode ser indicada. É fundamental diferenciar tendências de indicações médicas. O relato de uma celebridade pode trazer visibilidade a um tema importante, mas não garante que o mesmo procedimento seja adequado para todas. O que funciona para uma paciente pode não ser necessário ou a melhor opção para outra, devido à variedade de equipamentos, parâmetros de aplicação e respostas individuais. Não espere os sintomas piorarem: procure ajuda profissional A repercussão do relato de Virginia Fonseca ajuda a desmistificar uma queixa que muitas mulheres ainda evitam discutir. A perda de urina ao tossir, espirrar, rir ou praticar atividades físicas não precisa ser encarada como uma consequência inevitável. A investigação da causa é o primeiro passo para determinar a necessidade de tratamento e a abordagem mais eficaz. A médica ressalta que a mulher não precisa esperar que a perda de urina se torne frequente ou limite sua vida social e esportiva para buscar ajuda. "Quanto antes entendermos a origem da queixa, maior é a possibilidade de definir uma estratégia adequada para aquele caso", conclui.