Demanda Crescente por Infraestrutura Logística O avanço da produção agrícola e industrial no Brasil tem gerado uma pressão significativa sobre a infraestrutura logística do país. O armazenamento e o transporte de volumes cada vez maiores entre regiões produtoras, centros consumidores e portos impactam diretamente os custos e a competitividade. Essa necessidade se agrava em um país de dimensões continentais e com forte dependência do modal rodoviário. Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a safra brasileira de grãos 2025/26 deve atingir 360,8 milhões de toneladas, um aumento expressivo em relação ao ciclo anterior. Além disso, a interiorização da indústria e o crescimento do setor de biocombustíveis demandam maior capacidade de armazenagem e a criação de novas rotas para o escoamento da produção. Investimentos e Expansão de Terminais A crescente demanda por infraestrutura logística tem atraído consideráveis investimentos para o setor, especialmente em terminais, conexões ferroviárias e transporte hidroviário. A Ultrapar, holding do Grupo Ultra, tem ampliado sua atuação neste segmento, contando com empresas como a Ultracargo e a Hidrovias do Brasil em seu portfólio. A Ultracargo, maior empresa independente de armazenagem de granéis líquidos do país, com cerca de 1 milhão de metros cúbicos de capacidade instalada, tem expandido suas operações para o interior, aproximando-se das áreas produtoras. A companhia tem investido em terminais multipropósito e em conexões intermodais para atender às demandas do agronegócio, da indústria e da distribuição de combustíveis. Em 2026, a empresa ampliou a capacidade de seu terminal em Rondonópolis (MT) e inaugurou uma nova alça ferroviária. No ano anterior, uma unidade em Palmeirante (TO) foi aberta para a movimentação de granéis líquidos no Arco Norte, uma importante rota de exportação do agronegócio. Os investimentos da Ultracargo também continuam nos portos, com aportes previstos que podem chegar a R$ 434 milhões neste ano. Esses recursos serão destinados à conclusão de ampliações em Suape (PE) e Itaqui (MA), além de manutenções, novos projetos e iniciativas para aumentar a produtividade. Com terminais estrategicamente localizados na costa e em regiões produtoras, a Ultracargo busca otimizar a cadeia logística e oferecer soluções mais eficientes aos seus clientes. Hidrovias: Ampliando Alternativas de Transporte A Hidrovias do Brasil opera corredores logísticos em quatro países da América do Sul, movimentando em 2025 cerca de 18 milhões de toneladas, principalmente de grãos, minérios e fertilizantes. Para o transporte de grandes volumes e longas distâncias, as hidrovias se destacam por seus custos logísticos competitivos e menor impacto ambiental em termos de emissões. Este modal também contribui para reduzir a dependência das rodovias em rotas cruciais para a exportação. Atualmente, as rodovias concentram 54% da movimentação de cargas no Brasil, seguidas pelas ferrovias (27%) e pelo modal aquaviário (19%), de acordo com o Plano Nacional de Logística 2050. Essa distribuição contrasta com a vasta rede hidrográfica brasileira, uma das maiores do mundo. Uma maior utilização dos rios para o transporte de cargas pode oferecer ao agronegócio e à indústria opções mais eficientes para movimentar grandes volumes por longas distâncias, otimizando a competitividade do país. Gestão e Disciplina de Capital na Ultrapar A entrada da Ultrapar na Hidrovias do Brasil foi acompanhada pela implementação do modelo de gestão da holding, que fortaleceu a governança e a eficiência da companhia. A aquisição representou o maior investimento da Ultrapar na última década, com um EBITDA ajustado recorrente superando 1 bilhão de reais no último ano. A relação com a Ultracargo é ainda mais antiga, com investimentos contínuos há mais de 60 anos. Embora a Ultracargo e a Hidrovias do Brasil mantenham administrações independentes, suas operações se complementam na cadeia logística. A estratégia de gestão da Ultrapar é pautada pela disciplina na alocação de capital, práticas consistentes de governança corporativa e atuação em setores de profundo conhecimento da holding, visando impulsionar o desenvolvimento logístico e econômico do Brasil.