Ofensiva no bolso do eleitor A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou uma nova estratégia focada diretamente nas finanças dos eleitores, com o anúncio do reajuste do Bolsa Família. A medida, divulgada na última quinta-feira (17), é vista pela analista de política Clarissa Oliveira como uma resposta direta ao desempenho do petista nas pesquisas de intenção de voto. "Com uma conotação componente populista evidente. Não é dúvida para ninguém que fazer um aumento dessa magnitude no meio de uma eleição, porque vai ser pago no meio da eleição, obviamente tem um objetivo eleitoral", explicou Clarissa durante o Live CNN desta sexta-feira (18). Custos e riscos orçamentários A analista aponta que o governo pode estar subestimando o impacto orçamentário da medida. "Essa conta pode acabar lá na frente sendo paga pelos mesmos eleitores que estão sendo beneficiados por uma política do governo Lula voltada aos mais pobres", alertou. Entre as discussões para conter gastos públicos, surge a desindexação do salário mínimo, que afetaria benefícios como aposentadorias e pensões, impactando as mesmas camadas da população beneficiadas pelo Bolsa Família. Clarissa ressalta que este é um tema evitado pela campanha petista durante o período eleitoral. Ela também observou que o reajuste anunciado é, na verdade, uma recomposição inflacionária, e não um aumento real do valor do benefício. No entanto, para famílias que enfrentam a alta dos preços, especialmente de alimentos, o impacto é sentido e pode influenciar o resultado das eleições. Disputa acirrada nas camadas populares O cenário político é marcado por um movimento preocupante para a campanha de Lula: pesquisas indicam crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) justamente entre eleitores de baixa renda, tradicionalmente votantes do PT. "Lula já não está mais disputando com Flávio apenas aquele eleitor de centro. Ele está perdendo um eleitor que historicamente era seu", analisou Clarissa. A economia, os juros altos e a percepção de descasamento entre promessas e entregas do governo são apontados como fatores para essa mudança. Estratégia de Flávio Bolsonaro Enquanto isso, Flávio Bolsonaro adota a estratégia de criticar o reajuste sem se opor diretamente ao programa social. Ao chamar o aumento de "merreca", ele busca insinuar que Lula estaria tentando comprar votos, sem alienar o eleitorado mais pobre. "Flávio tem um limite de até onde ele pode criticar o aumento do Bolsa Família, porque senão ele próprio ganha uma antipatia dos eleitores que andavam flertando com a ideia de votar nele", comentou a analista. Paralelamente, o candidato Renan Santos (Missão) entrou com ação no TSE contestando o reajuste, mas uma primeira negativa já foi dada pelo ministro André Mendonça.