Luta por Justiça e Esclarecimento A professora universitária Isorlanda Caracristi, do Ceará, utiliza as redes sociais em um apelo desesperado por respostas sobre a morte de sua filha, Isabelle Caracristi, de 22 anos. A jovem, estudante de Direito, faleceu na noite de domingo, 13 de março, em seu apartamento em Fortaleza, onde residia com o namorado, João Munhoz, e a família dele. Isorlanda soube da perda apenas no início da tarde de segunda-feira, quando foi informada pela síndica do prédio. O corpo de Isabelle foi encontrado na área externa do condomínio, no bairro Aldeota, e já estava no Instituto Médico-Legal (IML) no momento em que a mãe foi notificada. A Polícia Civil do Ceará investiga o caso, analisando imagens de câmeras de segurança e colhendo depoimentos. Quatro pessoas já foram ouvidas, e outras quatro serão intimadas em breve. O laudo pericial do corpo tem previsão de conclusão para outubro. Relatos de Controle e Desespero Em um vídeo que viralizou, alcançando mais de 500 mil visualizações, Isorlanda narra os últimos contatos com a filha. No domingo, após passar o fim de semana com Isabelle, recebeu uma última mensagem da jovem: “Mãe, eu te amo”. Isorlanda respondeu e, em seguida, notou o silêncio incomum. “Não deu boa noite, achei estranho, e meu coração sempre apertado”, relata a mãe, visivelmente emocionada. Isorlanda descreve o namorado da filha, João Munhoz, como “extremamente controlador, fora do normal, obsessivo”. Ela conta que, no fim de semana anterior à morte, cuidou de Isabelle que estava com torcicolo, e Munhoz enviava “muitas mensagens” para a namorada. Na segunda-feira, ao tentar contato com a filha e com Munhoz, Isorlanda descobriu que havia sido bloqueada em todas as plataformas digitais. O desespero a levou até o endereço em Aldeota, onde, após uma espera angustiante e o comportamento apreensivo dos funcionários, recebeu a notícia devastadora. Questionamentos e Busca por Respostas A mãe questiona por que a notícia de sua morte lhe foi dada apenas no dia seguinte, pela síndica, e por que o corpo de sua filha permaneceu no IML “quase como indigente”. João Munhoz, que é de uma família de juristas em Fortaleza e vivia com a mãe e o irmão, não entrou em contato com Isorlanda nem compareceu ao velório. “Não estamos lidando com pessoas, estamos lidando com monstros, canalhas, covardes”, desabafa Isorlanda, que clama por justiça e clareza sobre os fatos. Relacionamento sob Suspeita Isorlanda relata preocupações desde o início do relacionamento de Isabelle com João Munhoz, que tem 33 anos. Segundo a mãe, Isabelle, recém-formada e apaixonada, não percebia o que ela via como assédio e controle por parte do namorado. Um episódio em que Munhoz tentou entrar no consultório médico durante uma consulta ginecológica de Isabelle acendeu o alerta da mãe. Discussões surgiram quando ele pediu para usar o cartão de crédito de Isabelle para pagar uma cirurgia e sugeriu abrir uma empresa em nome da estudante. Apesar das divergências, Isorlanda temia afastar a filha ao brigar com ela, que já era maior de idade. Isabelle se mudou para a casa do namorado pouco tempo depois. O último fim de semana juntas foi marcado por despedidas e planos. Isabelle saiu de casa no domingo dizendo que iria a uma missa com a família de Munhoz e trocou mensagens com a mãe por volta das 19h, antes do seu último “eu te amo”. OAB Ceará Pede Rigor na Investigação A OAB Ceará, por meio de suas comissões especializadas, manifestou solidariedade à família de Isabelle e solicitou que a apuração da morte seja conduzida com “celeridade, rigor técnico, diligência e perspectiva de gênero”, buscando a reconstrução circunstanciada dos fatos. Segundo informações divulgadas pelo g1, o escritório onde João Munhoz e Isabelle atuavam informou que ele exerceu apenas atividades administrativas e já deixou a empresa, enquanto Isabelle trabalhou no local por cerca de 20 dias, no final de julho e início de agosto, solicitando desligamento por motivos pessoais.