Pressão Política na Renovação da Licença da Refit A renovação da licença ambiental da Refit em 2024 ocorreu sob forte pressão da gestão do governador Cláudio Castro (PL), conforme revelam mensagens obtidas pela Polícia Federal. O então secretário de Meio Ambiente, Bernardo Rossi, e o presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Jordão Bussiere, articularam a aprovação da licença um dia antes da votação, mesmo com estudos técnicos apontando riscos de contaminação do solo. Diálogo Revela Receio e Ofensas Em troca de mensagens, Rossi expressou preocupação com um despacho interno que poderia "tumultuar bastante o processo" e alertou que a falta da licença levaria à paralisação da refinaria. Bussiere respondeu com um tom de urgência, indicando que estavam "trabalhando a solução" e chamando interlocutores de "FDP". Posteriormente, Bussiere ofendeu a representante do Ibama, referindo-se a ela como "filha da puta", e a representante da Uerj também foi alvo de críticas pela resistência à renovação. Investigação Aponta Organização Criminosa e Favorecimento A investigação da Polícia Federal sugere a existência de uma "organização criminosa" nos órgãos ambientais do Rio de Janeiro, que teria atendido a interesses privados em detrimento das manifestações técnicas. O relatório aponta que o ex-governador Cláudio Castro possuía um "canal direto e privilegiado" com o dono da Refit, Ricardo Magro, facilitando agendas e o acompanhamento de processos administrativos. Essa relação teria criado um "ambiente institucional favorável" para a refinaria. Articulação para Garantir Aprovação e Trocas no Inea Mensagens revelam que Bussiere contatou diversos membros da Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca) para garantir a aprovação da renovação da licença, incluindo representantes da Anamma, DRM/RJ, Seappa, Firjan e Sedeics, todos os quais votaram a favor. Após a aprovação, Rossi celebrou com um "boa porraaaa" e Bussiere com "Aprovadoooooooooo". Meses depois, ocorreram exonerações no Inea, com Bussiere comentando a dificuldade em encontrar "nomes certos que pensam como nós". Uma nova votação para a Licença de Instalação da Refit também foi articulada por Rossi e Bussiere, resultando em nova aprovação. Posicionamentos das Defesas Renato Bussiere negou irregularidades, alegando que os pareceres eram da gestão anterior. A defesa de Cláudio Castro refutou todas as acusações de lavagem de dinheiro e favorecimento, afirmando que os contatos com a Refit foram institucionais e que o Estado cobrou valores devidos da empresa. Foi solicitado ao ministro Alexandre de Moraes que Castro seja ouvido pela PF para esclarecer os fatos.