O drama diário de Jacarepaguá: Mobilidade é o maior problema da região O deslocamento diário é a principal dor de cabeça para quem vive ou frequenta a Grande Jacarepaguá. Uma enquete realizada pelo GLOBO revelou que 73,15% dos moradores apontam a mobilidade como o maior problema da região, superando questões como criminalidade e construções irregulares. Congestionamentos, poucas opções de transporte público e dificuldades de integração entre os modais são queixas comuns em bairros como Taquara, Freguesia e Curicica. Moradores relatam dificuldades e cobram soluções de transporte A fotógrafa Catarina Gonçales, moradora da Freguesia, exemplifica a situação: "Na hora do rush, o bairro praticamente para". Ela aponta estradas como a de Jacarepaguá e dos Três Rios como gargalos frequentes e defende a chegada do metrô como solução para diminuir a dependência de carros e ônibus. Yuri Leal, presidente da Associação de Moradores e Amigos da Freguesia (Amaf), reforça a necessidade de um transporte de alta capacidade e de melhorias na integração entre os próprios bairros da região. A Amaf chegou a apresentar um projeto de Linha Transversal de metrô ao governo estadual, que foi considerado viável pela Riotrilhos. Prefeitura aposta em renovação de frota e obras viárias, mas metrô ainda é distante Em resposta às demandas, a prefeitura anunciou a renovação da frota de ônibus com veículos novos e equipados com tecnologia avançada, além da ampliação da integração com o BRT. A terceira etapa de concessão do Sistema Rio, prevista para 2027, visa a renovação completa da frota. O governo do estado, por sua vez, informa que a expansão do metrô para Jacarepaguá está prevista no Plano Diretor Metroviário, mas sem data definida. Projetos como a ligação metroviária entre a Barra e o Recreio são considerados estratégicos para a região. Especialistas defendem transporte público de alta capacidade e planejamento integrado Especialistas como o arquiteto Filipe Marino, da Uerj, e a engenheira civil Marina Baltar, da Coppe/UFRJ, destacam que o crescimento rápido de Jacarepaguá superou sua estrutura de transporte. Eles enfatizam a necessidade de um sistema integrado de alta capacidade, que vá além do BRT, e que o planejamento urbano e de mobilidade caminhem juntos. A expansão de corredores viários e a criação de túneis e mergulhões são vistas como paliativos, que podem apenas deslocar o problema do congestionamento. Novas apostas: Transporte aquaviário e ciclovias ganham espaço Além das soluções tradicionais, o transporte aquaviário surge como uma alternativa promissora. A prefeitura lançou edital para um sistema com cinco terminais e oito linhas, com previsão de implantação até 2028. A expansão da malha cicloviária, com o plano CicloRio, também busca oferecer mais opções de mobilidade sustentável na região, conectando bairros e integrando-se a outros modais.