O ex-vereador Milton Leite negou qualquer envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e com um esquema de lavagem de dinheiro no transporte público de São Paulo. A declaração foi feita nesta sexta-feira (18), após o político se entregar à Polícia Civil em Mogi das Cruzes, onde foi submetido a exame de corpo de delito. “Eu sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na Justiça e no trabalho da polícia. Temos a oportunidade agora de provar tudo o que foi dito”, afirmou Leite, que se declarou inocente de qualquer crime. Milton Leite chegou a ser considerado foragido após não ser encontrado em sua residência e em um local em Sorocaba, onde foram apreendidos R$ 287 mil e US$ 89 mil. Horas depois, ele se apresentou à polícia, conforme prometido em nota divulgada à imprensa, alegando estar no interior do estado. Operação Vectura Corrupta investiga 12 empresas de ônibus ligadas ao PCC A Operação Vectura Corrupta, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Polícia Civil, aponta que pelo menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo que operam na cidade de São Paulo teriam sido alvos de controle do PCC, com participação direta de políticos. Além de Milton Leite, o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL), o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e três advogados são alvos da investigação. Ex-vereador citado em interceptações e como “dono de fato” de empresa De acordo com o Ministério Público, Milton Leite é citado nominalmente nos autos da investigação como o “responsável direto” pelas operações de companhias envolvidas no esquema. Declarações de policiais militares o apontam como o “dono de fato” da concessionária Transwolff, principal empresa citada na investigação. Interceptações telefônicas entre membros do PCC revelaram conversas sobre a necessidade de “envolver Milton Leite” para resolver impasses das empresas investigadas. Defesa alega atuação pública a pedido do ex-prefeito Bruno Covas Em nota anterior à sua apresentação, a defesa de Milton Leite sustentou que sua atuação no setor de transportes ocorreu de forma pública em 2019, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Na ocasião, como presidente da Câmara, Leite ocupava a função de vice-prefeito na linha sucessória e atuou em negociações envolvendo greves no setor. A defesa reiterou a negativa de todas as acusações e a confiança na comprovação da inocência.