A Ausência e a Mensagem A ministra Cármen Lúcia, única mulher a compor o Supremo Tribunal Federal (STF) durante a atual crise institucional, não pôde comparecer ao lançamento de seu livro infantil no último dia 11 de setembro. A obra, desenvolvida em parceria com a jornalista Mariana Oliveira, traz reflexões sobre democracia destinadas ao público infanto-juvenil, mas cujas mensagens parecem ter uma relevância especial para os próprios magistrados da Corte. Democracia: Um Sentimento de Falta O livro, publicado pela editora Mostarda e voltado para crianças de 8 a 11 anos, aborda a democracia de forma didática, explorando suas origens na Grécia Antiga, passando pela ditadura militar brasileira e a importância do voto, além de explicar a estrutura dos Três Poderes. Um dos trechos destacados ressalta: “Democracia é como a família ou amigos: a gente sente uma falta enorme quando perde e percebe que é muito difícil viver bem sem ela”. O Contexto da Sessão Histórica A menção à obra surge em um momento em que alguns ministros do STF estiveram no centro de um debate acalorado durante uma sessão histórica. Na ocasião, os magistrados não alcançaram consenso para analisar um pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, relacionado a supostos vínculos com Daniel Vorcaro. A situação levantou questionamentos sobre a solidez das instituições democráticas e a conduta de seus guardiões. Um Convite à Reflexão As palavras simples e diretas do livro infantil de Cármen Lúcia e Mariana Oliveira funcionam como um chamado à reflexão sobre os pilares que sustentam a democracia. Em tempos de polarização e desafios institucionais, a obra serve como um lembrete da fragilidade desses valores e da necessidade de sua preservação, especialmente por aqueles que detêm o poder de guardá-los.