Moraes acusa Mendonça de parcialidade e abre flanco para defesa de Lulinha Em uma manobra que pode impactar investigações em andamento, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sugeriu que o ministro André Mendonça, indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, deveria ser investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A declaração, feita em decisão encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, surge em meio a relatórios de inteligência da Polícia Federal que, segundo Moraes, indicam a prática de tais condutas por Mendonça, com possível quebra de imparcialidade judicial e favorecimento a grupos políticos. Relatórios da PF comparam casos de ACM Neto e Lulinha Os relatórios em questão, tornados públicos por Moraes, analisam casos com baixa densidade probatória. Um deles aponta semelhanças entre a situação do ex-prefeito ACM Neto e do empresário Fávio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A PF registra que Mendonça teria desqualificado suspeitas contra ACM Neto em relação a recebimentos de valores do Banco Master e da Reag, sem visualizar indícios de tráfico de influência em defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. O autor do relatório sugere que a análise do caso de ACM Neto pode ter sido influenciada pelo espectro político do envolvido, comparando-o com o de Lulinha. Lulinha e a sociedade oculta investigada pelo STF As investigações que envolvem Lulinha, segundo reportagens anteriores, apontam para sua participação em uma sociedade oculta com a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Fernando Bittar. O grupo teria prospectado negócios no governo do presidente Lula, utilizando a influência do filho do petista para abrir portas no Executivo. Mensagens atribuídas a Roberta Luchsinger indicam que o próprio presidente Lula teria oferecido a ela a escolha de um cargo no governo, que ela teria recusado para permanecer na sociedade com Fávio e Fernando. Defesa de Luchsinger busca anular provas e mira acesso ao celular Paralelamente, a defesa de Roberta Luchsinger prepara um pedido ao STF para anular provas obtidas através do acesso ao seu celular. A argumentação se baseia na suspeita de que ela foi propositalmente vinculada ao escândalo do INSS para que investigadores pudessem acessar seus dados telefônicos e, consequentemente, chegar a Lulinha. Como não houve quebra de sigilo telefônico de Luchsinger, levanta-se a suspeita de que os dados possam ter sido fornecidos pela empresa Meta, responsável pelo armazenamento em nuvem de diálogos e documentos do WhatsApp.