Moraes se defende e ataca Mendonça O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rompeu o silêncio sobre as mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em uma peça de defesa enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes classificou a investigação promovida pelo ministro André Mendonça como "inconstitucional e ilegal". Segundo Moraes, a ação de Mendonça seria fruto de "vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a democracia e o Estado de Direito". Moraes refuta veementemente qualquer favorecimento ao dono do Banco Master e nega que as mensagens encontradas no bloco de notas do celular de Vorcaro sejam de sua autoria. "Não há nenhuma, absolutamente nenhuma mensagem de autoria do ministro Alexandre de Moraes que indique qualquer consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de qualquer operação policial", afirmou. Crise interna no STF e o papel de Fachin O plenário do STF se reúne nesta terça-feira para analisar o caso, que gerou a maior crise interna da Corte nos últimos anos. A polêmica se instalou após a Polícia Federal (PF), a pedido de Mendonça, elaborar um relatório sobre mensagens apreendidas no celular de Vorcaro que faziam referência a Alexandre de Moraes. O documento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e desencadeou uma série de acusações e embates entre os ministros. Em uma tentativa de conter a escalada da crise, o presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a condução do caso. Fachin retirou a investigação sobre Mendonça do Inquérito das Fake News e abriu um procedimento separado, tornando-se o relator do procedimento relacionado às mensagens envolvendo Moraes. Fachin será o primeiro a se manifestar na sessão desta terça-feira. Mensagens, sigilo e o celular de Vorcaro O celular de Daniel Vorcaro tornou-se peça central na crise. A análise do aparelho revelou mensagens que envolveram ministros do STF e outras autoridades. A disputa se estende ao acesso ao conteúdo integral extraído do aparelho, com discussões sobre quais informações podem ser utilizadas e quais permanecem sob sigilo. Moraes, inclusive, cobrou acesso à íntegra das mensagens e questionou decisões de Mendonça que mantiveram parte do material sob sigilo. Outras frentes da crise A crise ganhou novas dimensões com o afastamento e posterior reintegração do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, após decisão de Mendonça e intervenção do ministro Flávio Dino. Além disso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também foi arrastado para o centro da controvérsia, com seu nome aparecendo em referências no material apreendido e a PGR tendo o papel de se manifestar sobre possíveis investigações. O julgamento desta terça-feira é apenas um capítulo da disputa. No dia 23, os ministros deverão analisar um pedido de investigação contra André Mendonça, indicando que a crise no STF está longe de ter um fim.