Advogados sob suspeita de ligação com o PCC Uma nova fase da operação que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em órgãos públicos e no sistema de transporte de São Paulo mira agora a chamada "Sintonia dos Gravatas". Este núcleo, composto por advogados, é suspeito de atuar em benefício da organização criminosa, extrapolando os limites da advocacia. Entre os investigados estão Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu. As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público revelaram que escritórios e contas bancárias teriam sido utilizados para reuniões, movimentações financeiras e outras atividades de interesse da facção. Diálogos interceptados indicam pagamento de honorários, elaboração de estratégias jurídicas para membros presos, e articulações com políticos. Milton Leite é alvo e se declara foragido O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), é um dos alvos centrais desta etapa da operação. Um pedido de prisão foi expedido contra ele, que não foi encontrado em sua residência e foi inicialmente considerado foragido. Leite, no entanto, entrou em contato com as autoridades informando estar em viagem e que se apresentará nas próximas 24 horas, negando ser foragido e afirmando que provará sua inocência. A terceira fase da Operação Vectura Corrupta foca no controle financeiro e operacional do PCC sobre 12 empresas de ônibus, suspeitas de fraudes em licitações. A investigação aponta que decisões estratégicas envolvendo essas empresas, com indícios de ligação com a facção, dependeriam do conhecimento ou aprovação política de Milton Leite. Ele é citado como responsável direto pela operação de algumas dessas empresas, sendo apontado como dono de fato da Transwolff. Operação desvendou núcleo político e financeiro do PCC A investigação, iniciada em agosto de 2024 com a Operação Decurio, revelou um esquema sofisticado de movimentação financeira ilícita e lavagem de dinheiro. A facção criminosa teria criado um "núcleo político" para acessar recursos públicos e ampliar seus negócios, apoiando e financiando candidaturas alinhadas aos seus interesses. Outros presos na operação incluem Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande. Silva é suspeito de ter tido sua campanha financiada pelo PCC e de possuir um forte vínculo com integrantes da facção. Prefeitura de SP colabora com investigações A Prefeitura de São Paulo informou que a intervenção na Transwolff e na UPBus, em abril de 2024, foi uma medida para proteger o sistema de transporte municipal. A administração municipal afirma colaborar integralmente com o Ministério Público e a Polícia Civil, fornecendo documentos e esclarecimentos necessários à investigação, e que a operação atual reforça a gravidade dos fatos que motivaram suas ações.