Críticas à Decisão de Moraes A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que indicou fortes indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na conduta do ministro André Mendonça, gerou forte reação da oposição. Parlamentares interpretam a ação como uma retaliação de Moraes a Mendonça, especialmente após a divulgação de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que poderiam envolver o próprio Moraes. Acusações de Abuso de Poder O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), criticou a atitude de Moraes, afirmando que o ministro transformou o inquérito em um instrumento de "poder pessoal". Marinho argumenta que a situação configura uma "inversão intolerável de valores", onde quem deveria prestar esclarecimentos utiliza poderes investigativos para constranger um colega que supervisiona uma investigação séria. Ele também questionou a continuidade do inquérito das Fake News e convocou manifestações para o 7 de Setembro contra o que chamou de "práticas de exceção". Reações Políticas e Pedido de Prisão Outras figuras políticas também se manifestaram. O ex-governador Romeu Zema (Novo) acusou Moraes de "eliminar rapidamente qualquer pessoa que ameace seu poder" e questionou "o que mais precisa para esse sujeito ser preso?". O senador Carlos Viana (Podemos-MG) anunciou que acionará o presidente do STF, Edson Fachin, para apurar a conduta de Moraes, suspeitando de uso das prerrogativas do cargo para retaliar Mendonça. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) classificou a decisão como "arbitrária e autoritária", afirmando que Moraes "jogou no lixo o pouco de credibilidade que restava ao STF" e o chamou de "Nero brasileiro dos tempos modernos". O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) também questionaram a decisão, vendo nela uma inversão entre investigador e investigado. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) chegou a defender que Mendonça desse voz de prisão a Moraes. Posição do Governo e Pedido de Investigação Ampla Em meio à crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou um vídeo abordando o caso Master pela primeira vez. Sem citar Moraes diretamente, Lula defendeu que todos os envolvidos, incluindo políticos e agentes públicos, sejam investigados sem "blindagem". Ele cobrou uma atuação firme do presidente do STF, Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para garantir a integridade das investigações. Lula também criticou "vazamentos seletivos" e defendeu "reformas profundas" no sistema político e judiciário. A gravação foi interpretada como uma tentativa de evitar que a crise no STF afete a campanha eleitoral. Parlamentares governistas reforçaram o pedido de investigação ampla do caso Master e direcionaram o foco para as relações de Daniel Vorcaro com o grupo político de Bolsonaro.