Suécia:** Oposição de centro-esquerda supera expectativa e vence eleições gerais As projeções iniciais das eleições gerais na Suécia apontam para uma vitória da oposição de centro-esquerda, revertendo a expectativa de um novo avanço da extrema direita na Europa. A votação, que ocorreu neste domingo, foi acirrada, mas os blocos liderados pelos Social-Democratas teriam conquistado a maioria no Parlamento. O atual premier, Ulf Kristersson, ainda não se pronunciou. Magdalena Andersson pode retornar ao poder De acordo com as projeções da rede sueca SVT, o bloco de centro-esquerda obteve cerca de 49,3% dos votos, o que deve possibilitar o retorno da ex-premier Magdalena Andersson ao cargo. Os governistas teriam alcançado 49,2% dos votos. A diferença se traduz em uma cadeira a mais para a oposição no Parlamento, com 175 assentos contra 174 da base governista. Os resultados finais são esperados para esta segunda-feira, mas a formação de um novo gabinete pode levar semanas. Extrema direita perde força apesar de campanha agressiva A campanha eleitoral foi marcada por ataques pessoais, acusações de fake news e críticas à gestão de Kristersson. A extrema direita, representada pelos Democratas Suecos (SD), que apesar de não fazer parte do governo atual, foi crucial para a aprovação de projetos no Parlamento, viu suas projeções ficarem aquém das expectativas. O partido, que aparecia em segundo nas pesquisas, foi relegado ao terceiro lugar, atrás dos Moderados do premier Kristersson. Analistas apontam que o SD não conseguiu atrair mais eleitores, mesmo com um slogan que remetia a Donald Trump e um plano de auxílio para retorno de imigrantes, que gerou polêmica. Desconforto com a "normalização" da extrema direita e foco em saúde e educação O desconforto com a aproximação do governo de Ulf Kristersson com a extrema direita parece ter pesado na decisão dos eleitores. A coalizão governista teria recebido cerca de 10% menos votos do que em 2022. Diferentemente da eleição anterior, temas como criminalidade perderam espaço para preocupações com saúde, educação e a economia, áreas onde os social-democratas tradicionalmente possuem maior apelo. "Houve muitas mentiras e bate-bocas, mas, ao mesmo tempo, há tantas pessoas sensatas por todo o país", declarou Magdalena Andersson após votar, enfatizando o foco em "vencer e definir um novo rumo para a Suécia". Contexto europeu: Vitória da AfD na Alemanha e o sinal enviado A eleição sueca também foi observada no contexto europeu, especialmente após a vitória da extrema direita (AfD) em uma eleição regional na Alemanha. Embora a AfD não tenha alcançado maioria para governar sozinha, o resultado demonstrou a capacidade do partido de mobilizar eleitores insatisfeitos com a imigração. O cenário político alemão e a postura do partido CDU em relação à AfD foram postos em xeque, enviando um sinal de alerta para outras capitais europeias.