A proliferação do peixe-leão, uma espécie exótica e venenosa, tem gerado preocupação no litoral de Porto Seguro, no sul da Bahia. Em resposta à ameaça crescente aos ecossistemas marinhos e à atividade pesqueira, a prefeitura lançou um plano de enfrentamento que inclui um programa de incentivo financeiro para a captura dos animais. Programa de Incentivo e Captura Através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac), a prefeitura está oferecendo R$ 10 por cada exemplar de peixe-leão capturado e entregue à Colônia de Pescadores. Em cerca de um mês, a iniciativa já resultou na retirada de 442 peixes da região. A medida, considerada temporária, visa estimular a participação dos pescadores na contenção da espécie, que não possui predadores naturais na costa brasileira e se reproduz rapidamente. Ameaça Ambiental e Econômica O peixe-leão, originário da região Indo-Pacífico, é um predador voraz que se alimenta de diversas espécies marinhas nativas, competindo por alimento e desequilibrando o ecossistema. A bióloga Aluane Silva Ferreira, da Prefeitura de Porto Seguro, destaca que a ausência de predadores naturais na costa brasileira facilita a multiplicação da espécie, impactando tanto a biodiversidade marinha quanto o pescado local, que é fundamental para a economia da região. Plano de Ação e Pesquisa O Plano Municipal de Ação para o enfrentamento do peixe-leão prevê não apenas o monitoramento e a captura, mas também pesquisas científicas e capacitação de profissionais. A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) está envolvida no estudo dos animais capturados, analisando sua alimentação, tamanho, genética, origem e comportamento. Há também a investigação sobre o potencial de aproveitamento do peixe-leão para consumo humano, buscando formas seguras de preparo e a possível integração em uma cadeia produtiva. Riscos e Cuidados com o Peixe-Leão Apesar de ser comestível, o peixe-leão possui espinhos venenosos nas regiões dorsal, pélvica e anal, que podem causar dor intensa, inchaço e outros sintomas como náusea e dificuldade para respirar. Por essa razão, a captura e o manuseio devem ser realizados apenas por pessoas treinadas e autorizadas. Para banhistas, a orientação é clara: avistar o animal não significa risco nas praias, mas é fundamental não tocar ou tentar capturar o peixe para evitar acidentes. A prefeitura reforça a importância da colaboração dos pescadores para o sucesso das ações de controle da espécie.