CEAZA Divulga Dados Surpreendentes sobre Acúmulo Nevado e Potencial Hídrico A Cordilheira dos Andes, na região de Coquimbo, Chile, testemunhou um evento meteorológico notável em agosto, registrando uma cobertura de neve que mais do que dobrou a mediana histórica para o mês. Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Zonas Áridas (CEAZA), a área coberta por neve atingiu impressionantes 10.000 km², um marco significativo que impacta diretamente as reservas hídricas da região. Metodologia de Monitoramento e Comparativo Histórico Pamela Maldonado, especialista em Sistemas de Informação e Sensoriamento Remoto do CEAZA, explicou que os dados foram coletados através de satélites MODIS e comparados com a mediana histórica de agosto entre 2002 e 2025, que era de aproximadamente 5.000 km². O resultado de agosto superou em muito essa média, indicando um inverno excepcionalmente rigoroso na altitude. Água Equivalente: Mais do que Apenas Cobertura Nevado A quantidade de neve na superfície, embora impressionante, não é o único fator para determinar o potencial hídrico. O conceito de "água equivalente" é crucial, pois leva em conta a altura e a densidade da neve para estimar a quantidade real de água que será liberada no degelo. Cristian Orrego, coordenador da Área Meteorológica do CEAZA, exemplificou: "1 metro de neve, por exemplo, pode ter 100 milímetros de equivalente em água ou até mais de 500 milímetros se estiver muito compactada". Na estação meteorológica de Tascadero, por exemplo, 154 cm de neve equivalem a 466 mm de água. Estimativas de Reservas Hídricas e Desafios de Monitoramento As estimativas do CEAZA apontam para cerca de 350 mm de água equivalente nos rios Elqui e Limarí, e aproximadamente 200 mm no Choapa. No entanto, Orrego ressalta a incerteza desses números devido à escassez de sensores instalados na Cordilheira para medir este parâmetro vital. Precipitação e Perspectivas para o Fluxo dos Rios Além do recorde de neve, julho também foi marcado por precipitações abundantes na região, elevando o nível dos reservatórios de 10% para 56% de sua capacidade até o final de agosto. O relatório do CEAZA projeta um aumento considerável nos fluxos dos rios nos próximos meses e até o ano seguinte, com volumes de água que não eram observados há mais de uma década. A expectativa é que o fluxo se assemelhe aos anos de 2016 e 2002, ambos conhecidos pela intensa quantidade de neve acumulada na Cordilheira.