O candidato do PSOL ao governo do Rio de Janeiro, William Siri, defendeu a proibição do uso de armas letais e menos letais a partir de helicópteros da Polícia Militar em operações. Segundo ele, essa prática é “aterrorizante para as famílias” que vivem em áreas de conflito. A proposta foi apresentada durante a sabatina realizada por O GLOBO, Extra, Valor e Rádio CBN. Retomada de territórios com foco social e segurança unificada Para a segurança pública, Siri propôs uma abordagem diferenciada para retomar territórios dominados por facções. A estratégia inclui ações de saneamento básico, fomento à cultura e um policiamento mais integrado. Ele também defende a criação de uma polícia unificada e de caráter civil, além da concentração do comando da área em uma única Secretaria de Segurança, diretamente ligada ao gabinete do governador. Críticas ao modelo atual e proposta de asfixiar o fluxo de drogas “Não vejo a possibilidade em primeiro momento de usar os helicópteros. Quero resolver a segurança pública. O ex-governador Claudio Castro gastou não sei quantos milhões para comprar um helicóptero blindado, mas são esses mesmos que estavam no poder com o crime organizado”, argumentou Siri. Ele enfatizou que sua proposta não é abandonar a atuação policial, mas sim “retomar o território” de forma diferente. A estratégia inicial seria interromper a entrada de drogas e munições nas comunidades, “asfixiando o fluxo” que abastece o crime organizado. Caveirões e letalidade: um ciclo a ser quebrado Apesar de propor restrições, Siri não descarta completamente o uso de veículos blindados, como o “caveirão”, em situações específicas. Contudo, ele criticou a repetição do mesmo modelo de segurança pública nas últimas décadas, afirmando que o uso desses recursos tem sido empregado para “ganhar voto”. Para reduzir a letalidade, o candidato defendeu ações conjuntas com a Polícia Federal e operações na Baía de Guanabara, além de valorizar e melhorar a estrutura dos policiais, que, segundo ele, estão sucateadas. Reestruturação das polícias e comando centralizado Siri propõe a transformação do modelo das polícias, defendendo uma estrutura semelhante à da Polícia Rodoviária Federal, com uma polícia unificada e de caráter civil. Ele ressaltou que a proposta não é uma crítica aos policiais, mas sim à falta de investimento do governo, citando a defasagem no efetivo. A reformulação administrativa prevê a unificação das secretarias de Polícia Civil e Militar em uma única Secretaria de Segurança, com o objetivo de concentrar o comando e evitar disputas internas, como as que, segundo ele, ocorreram entre os ex-secretários Felipe Curi e Marcelo Menezes após uma grande operação em outubro.